6 nov, 2017
José Maria Marin chega a tribunal em Nova York para início de julgamento

Ex-presidente da CBF é acusado de sete crimes; ele nega as acusações e afirma ser inocente

TNM/Por Globoesporte.com/Martin Fernandez
FOTO: Martin Fernandez

José Maria Marin na chegada a tribunal em Nova Iorque

O ex-presidente da CBF José Maria Marin chegou ao Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova York, no fim da manhã desta segunda-feira para o início de seu julgamento diante da Justiça dos Estados Unidos. Marin está sendo julgado no “Caso Fifa”, maior investigação sobre corrupção na história do futebol, que derrubou os dirigentes e empresários de marketing esportivo que mandavam havia décadas no futebol latino-americano e recuperou quase US$ 200 milhões em dinheiro desviado. Marin é acusado de sete crimes: três de fraude, três de lavagem de dinheiro e mais um por integrar uma organização criminosa. Ele nega todas as acusações e afirma ser inocente.

Na avaliação de pessoas com conhecimento do caso, Marin está sujeito a uma pena de até 10 anos de prisão. O julgamento deve durar dois meses. Esta primeira semana do julgamento deve ser inteiramente dedicada à formação do júri, composto por 12 pessoas (mais seis “reservas”) que terão suas identidades preservadas. Testemunhas serão ouvidas e provas serão apresentadas a partir do dia 13.

Em caso de condenação, Marin poderá recorrer em prisão domiciliar. O brasileiro foi preso em 27 de maio de 2015, em Zurique, acusado de receber propina para beneficiar empresas de marketing esportivo que compraram direitos de transmissão e comerciais da Copa do Brasil, da Copa América e da Copa Libertadores.

Em novembro de 2015, Marin foi extraditado para os EUA, onde fez um acordo para poder aguardar seu julgamento em prisão domiciliar. Marin mora (e está preso) num apartamento de 100 metros quadrados no 41o andar da Trump Tower, comprado em 1989. O caso é investigado nos EUA porque os acusados usaram bancos e empresas com sede no país para movimentar dinheiro.

Acusações semelhantes pesam sobre outros dois cartolas brasileiros: Marco Polo Del Nero, sucessor de Marin na presidência da CBF, e Ricardo Teixeira, presidente da entidade entre 1989 e 2012. Os dois estão no Brasil, país que não extradita seus cidadãos, e portanto não serão julgados pelos EUA. Teixeira e Del Nero também negam as acusações e afirmam ser inocentes.

A partir desta segunda-feira, Marin terá como companheiros no banco dos réus o paraguaio Juan Angel Napout, ex-presidente da Conmebol, e o peruano Manuel Burga, ex-presidente da federação de seu país. Os dois são acusados dos mesmos crimes e, tal qual o ex-cartola brasileiro, se dizem inocentes. Por isso, resolveram encarar o julgamento em vez de admitir culpa e colaborar com as autoridades dos Estados Unidos.

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