4 dez, 2017
Viúva de capitão desabafa: “Minha luta é para honrar o nome dele”

201712041408_70889c3272Klarita Rodrigues depõe em júri de Agnaldo Vasconcelos, pede a condenação do réu e destaca integridade da vítima: “Exemplo de homem”

TNM/Por Bruno Soriano e Larissa Bastos   
FOTO: Larissa Bastos

Klarita Rodrigues disse ter convicção de que réu é culpado pela morte de militar

O júri do acusado de matar o capitão PM Rodrigo Rodrigues, assassinado durante abordagem policial em abril de 2016, no bairro Santa Amélia, parte alta de Maceió, começa a entrar em sua fase decisiva. No início desta tarde, foi a vez de a viúva da vítima, Klarita Santos Rodrigues, que também é militar, prestar seu depoimento. Na oportunidade, ela pediu a condenação do réu, Agnaldo Vasconcelos, descrevendo Rodrigo como “um exemplo de homem” e relatando o sofrimento da família com tamanha perda.

Aos presentes, Klarita lembrou, ainda, a religiosidade do marido, classificando-o como “a melhor pessoa que conheci até hoje”. “O primeiro presente que ele me deu quando nos conhecemos foi uma bíblia. Sou muito grata pelos anos que passei com o Rodrigo porque foi com ele que aprendi a ser uma pessoa melhor. Ele era a melhor referência de pai e de homem que meu filho poderia ter. Eu já trabalhava quando tudo aconteceu, e ele é quem ficava em casa com nosso filho. Ele dava de comer, dava banho, fazia dormir. Era um pai muito presente”, afirmou a militar, recordando também que o último encontro em família ocorreu em um batalhão da PM, na tarde do fatídico dia 09 de abril, quando o capitão foi morto ao tentar recuperar um celular roubado.

Na sequência, o julgamento teve de ser paralisado porque uma jurada se sentiu mal, vindo a receber atendimento por parte da equipe médica do Tribunal de Justiça, sendo retomado instantes depois. Foi quando Klarita retomou a palavra para falar sobre a agonia da família em torno do episódio.

FOTO: Larissa Bastos

Julgamento ocorre no Fórum do Barro Duro e deve ser concluído na madrugada desta terça

“Posso afirmar que estamos mortos. Existem alguns momentos de lazer e alegria que nosso filho ainda é capaz de proporcionar. Mas não sei como a mãe dele [Rodrigo] sobrevive. Eu a admiro muito e me inspiro nela. É uma guerreira. Porém, não sei como vai ser para o meu filho”, emendou a militar, acrescentando ter conversado com os demais integrantes da guarnição responsável pela abordagem à porta da residência de Agnaldo, que efetuou os disparos de dentro de casa, alegando não saber se tratar de uma ação policial.

“Falei com todos da guarnição para ter a certeza de que meu marido agiu corretamente. Minha luta é para honrar o nome dele. Se este assassino for absolvido, minha família vai se sentir condenada pelo resto da vida”, complementou Klarita, ocasião em que foi repreendida pelo juiz Anderson Bastos, que considerou ofensiva a forma com a qual se dirigiu ao réu.

Em seguida, a defesa do réu decidiu não fazer perguntas à policial, com o depoimento da viúva do capitão Rodrigues sendo encerrado.

Acusado de matar PM pede perdão à família da vítima: “Não sabia que era militar”

 Agnaldo Vasconcelos abriu fase decisiva de julgamento nesta segunda-feira
 TNM/Por Jonathas Maresia e Rafael Maynart   
FOTO: Itawi Albuquerque/TJ-AL

Réu disse que atirou sem saber que se tratava de um integrantes da PM

Agnaldo Vasconcelos, réu acusado de matar o capitão da Polícia Militar Rodrigo Rodrigues durante um abordagem na Santa Amélia, em Maceió, disse, em depoimento ao tribunal do júri na tarde desta segunda-feira (4), que não efetuou o disparo de arma de fogo com objetivo de matar o militar. “Eu não sabia que ali na minha porta tinha um policial militar. Eu não atirei intencionalmente para matar o policial”, relatou chorando Agnaldo Vasconcelos aos jurados.

Durante o seu depoimento marcado por choro e carregado de emoção, Agnaldo chegou a pedir desculpas aos familiares do oficial da Polícia Militar de Alagoas pela morte, reforçando que em nenhum momento suspeitou de que os homens que estava à sua porta era da força de segurança. “Se soubesse que ali na minha porta tinha um policial, jamais faria isso. Tenham certeza”, relatou o réu, sob o olhar atento dos jurados e dos familiares da vítima.

Aos jurados, o réu seguiu o depoimento no sentido de apontar que,  segundo ele, houve inicialmente uma abordagem irregular por parte do oficial da polícia, visto que ele teria se identificado como integrante da equipe de segurança do condomínio. “Lá, no condomínio, não há equipe de segurança. Em seguida, foi dito que se eu não abrisse a portas, eles entrariam. Foi quando corri desesperado, peguei a arma. Achei que fosse um assalto”, apontou.

Em seu depoimento, na tentativa de colocar em xeque a conduta dos policiais no dia da morte, Agnaldo relatou aos jurados e ao juiz que preside o tribunal que, logo após o capitão ser baleado ele chegou a ser torturado por policiais que adentraram à sua residência, sendo inclusive algemada em uma cadeira. “Os policiais arrancaram o cabo de um ventilador, ligaram na tomada e ficaram dando choque em mim. Em seguida, um militar do Bope entrou e me retirou de lá, levando para a delegacia”, recordou.

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