5 jan, 2018
Cristiane Brasil: Mais uma polêmica da Ministra de Temer ! Empresas investigadas de corrupção financiaram nova ministra

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Cristiane Brasil: polêmicas e acusação no caminho da nova ministra do Trabalho

Delatores afirmam que deputada recebeu R$ 200 mil como caixa dois. Ela nega

Jornal do Brasil

Após reunião com o delator do mensalão Roberto Jefferson, o presidente Michel Temer (PMDB) bateu o martelo: a nova ministra do Trabalho será Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do próprio Jefferson e deputada federal desde 2015.

Com 44 anos, Cristiane é advogada e já foi vereadora no Rio de Janeiro por três mandatos. Votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT) e pelo arquivamento das denúncias contra Temer nas duas ocasiões em que o assunto foi debatido pelo Legislativo. Além disso, votou de maneira favorável à reforma trabalhista e à PEC do Teto.

Cristiane também é autora de um projeto de lei polêmico. Ela tentou regulamentar a roupa dos frequentadores do Congresso e o tamanho dos decotes utilizados, mas a iniciativa não vingou.

Cristiane Brasil foi confirmada por Temer no Ministério do Trabalho

Cristiane Brasil foi confirmada por Temer no Ministério do Trabalho

Os delatores da Odebrecht acusam a deputada federal de ter recebido R$ 200 mil como caixa dois durante seu período como vereadora, o que ela nega.

Quando anunciou a nomeação de sua filha, Roberto Jefferson chorou e afirmou tratar-se de um “resgate da família” após o mensalão. Em 2005, ele foi o pivô do escândalo que atingiu o então presidente Lula (PT) ao denunciar a compra de deputados federais. Chegou a ser preso, teve o mandato cassado mas está no regime aberto desde 2015.

Segundo Jefferson, ao ligar para a filha e falar sobre a possibilidade de assumir o ministério, ela afirmou: “pai, eu aceito”.

Escolha e emoção

Temer aceitou na quarta-feira (3) o nome de Cristiane Brasil para assumir o Ministério do Trabalho. A indicação foi apresentada por Jefferson a Temer na tarde de quarta-feira, no Palácio do Jaburu, após reunião do partido.  A nomeação foi confirmada pelo Planalto.

O nome dela surgiu após o impasse provocado com a indicação de Pedro Fernandes, que foi vetado pelo ex-presidente José Sarney sob alegação de que o parlamentar é alinhado ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), inimigo político da família Sarney.

“Eu vim discutir outros nomes, estávamos pensando em três [outros deputados]. Aí roda pra cá, roda pra lá. Então se falou: ‘Roberto, e a Cristiane? Por que não?’ Aí foi da cabeça do presidente: ‘Ela é uma menina experimentada, foi secretária municipal em vários governos na cidade do Rio de Janeiro’. Eu falei: ‘presidente, aí o senhor meu surpreende, vou ter que consultar”, afirmou Roberto Jefferson.

Segundo ele, após a consulta e a aceitação, Cristiane Brasil concordou em não disputar as eleições deste ano. “Ela ficará ministra até o final [do governo de Temer]”, afirmou. Roberto Jefferson disse ainda que o líder do partido na Câmara, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), também concordou com a nomeação e disse que ela tem a “confiança” da bancada.

Durante entrevista a jornalistas em que anunciou o nome da filha para o cargo, Roberto Jefferson, que foi protagonista e o primeiro delator do mensalão há pouco mais de dez anos, se disse emocionado. “É um resgate da imagem, da família. Depois do que aconteceu, mas já passou. Fico satisfeito”, afirmou, com a voz embargada.

Suplente

O ex-vereador de Campos dos Goytacazes Nelson Nahim (PSD-RJ) é o suplente de Cristiane Brasil na Câmara dos Deputados. Irmão do ex-governador Anthony Garotinho, com quem diz estar rompido desde 2010, Nahim já foi condenado a 12 anos de prisão por estupro de vulnerável. Ele foi preso duas vezes por envolvimento em exploração sexual de menores, mas foi solto em outubro após obter um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal.

Segundo valores declarados ao TSE, nova ministra do Trabalho recebeu 93% dos recursos gastos na sua campanha a deputada federal de empresas investigadas por corrupção. Só do Grupo J&F foram R$ 4 milhões.

Nomeada nesta quinta-feira (04/01) para o Ministério do Trabalho, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) teve 93% de sua campanha eleitoral nas eleições de 2014 financiada por empresas hoje investigadas por corrupção.

deputada Cristiane Brasil Foto: Agência Brasil 

Deputada Cristiane Brasil

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos R$ 5,4 milhões declarados pela então candidata, cerca de R$ 4 milhões vieram do grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, e R$ 1 milhão de outras três empresas investigadas: a Construtora Zadar, a Carioca Christiani Nielsen Engenharia e a Cervejaria Petrópolis.

Cristiane Brasil é filha de Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB e um dos protagonistas do caso do mensalão. A indicação da deputada para o Ministério do Trabalho aconteceu nesta quarta-feira, após reunião entre o líder do PTB e o presidente Michel Temer. Ela assume a pasta que foi comandada por Ronaldo Nogueira, que pediu demissão há uma semana para se candidatar nas eleições deste ano.

Os valores doados pelo grupo J&F corresponderam a 74% das receitas de campanha da então candidata e incluem R$ 2 milhões doados pela JBS e outros R$ 2 milhões pela Flora, uma das subsidiárias do grupo dos irmãos Batista, que fecharam acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

Outros 9% do valor arrecadado, um total de 500 mil reais, vieram da Construtora Zadar, empresa do pai do deputado estadual André Lazaroni (PMDB-RJ) e cujas contratações sem licitação para duas arenas olímpicas são investigadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

A então candidata recebeu ainda 350 mil reais da construtora Carioca Christiani Nielsen Engenharia, que foi denunciada na Lava Jato por pagamento de propina para as obras do Arco Metropolitano, do PAC Favelas e da Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro.

Também a Cervejaria Petrópolis contribuiu com o valor de 166 mil reais para a campanha de Cristiane Brasil. Em 2017, o Ministério Público Federal instaurou inquérito para investigar a empresa por intermediação de pagamentos ilícitos a pedido da Odebrecht, na forma de doações oficiais.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.

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