12 abr, 2018
Valor desviado em Mata Grande daria para comprar 130 carros populares, diz MPE

Ex-prefeito da cidade continua foragido; seis pessoas foram presas em operação

 Por Thiago Gomes e Larissa Bastos   
FOTO: dárcio monteiro

Coletiva na sede do MPE detalhou esquema de desvios em Mata Grande

Presa quadrilha suspeita de desviar R$ 12 mi da Prefeitura de Mata Grande

O Ministério Público Estadual (MPE) detalhou, em entrevista coletiva, como se deu a investigação que culminou na operação Ánomos, que prendeu seis pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa acusada de fraudes em licitação e desvios do dinheiro público em Mata Grande, no Sertão de Alagoas. O Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ex-Gecoc, informou que o dinheiro desviado do município é o equivalente ao valor de 130 carros populares.

Segundo o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça, o desvio em Mata Grande é o maior descoberto pelo antigo Gecoc. Só em uma ação foram R$ 12 milhões.

“É algo inconcebível para os dias de hoje. Era uma organização criminosa que meteu a mão com força no dinheiro do povo. Uma organização com a participação de familiares do prefeito, que transformou a prefeitura no quintal da casa dele”, afirmou.

O ex-prefeito da cidade, Jacob Brandão, e o irmão dele, Júlio, continuam foragidos. “Mas vamos alcançá-los. Não há dúvida disso”.

O coordenador do Gaeco, promotor Antonio Luiz dos Santos, disse que em Mata Grande foram duas denúncias referentes à aquisição de medicamentos que nunca foram entregues e também um contrato com uma empresa de Paulo Jacinto, a EP Construções e Locações de Veículos, comandada por Euzébio Vieira em sociedade com Petrúcio da Silva, que foram presos na operação. Em janeiro de 2015, foi celebrado um contrato de R$ 12 milhões. Segundo as investigações, foram desviados R$ 7,8 milhões por meio dessa empresa.

“Eles montaram um processo licitatório para a contratação de veículos para sete secretarias, incluindo uma que jamais recebeu um carro em toda a gestão. Na secretaria de administração, o veículo somou mais de R$ 910 mil e, em depoimento, o secretário confirmou que jamais solicitou um carro para a pasta. O mesmo aconteceu em outras secretarias”, disse.

Com todo o dinheiro desviado, dava para a prefeitura ter comprado 130 carros populares, 40 vans das mais modernas ou 20 caminhões de lixo. Além da prefeitura, o MPE afirma que o desvio aconteceu também na Câmara de Vereadores.

Na coletiva, foi divulgado que seis pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa estão presas preventivamente. O promotor Antonio Luiz dos Santos informou que o Gaeco percorreu outros municípios do Sertão e todos têm contrato de locação de veículos.

“No médio Sertão, descobrimos que já estão buscando empresas de locação de veículos em Sergipe. Todas elas trabalhando nos mesmos moldes da EP Locações. São empresas que não têm nenhum veículo para locar e estão fechando contratos para isso. São empresas que locam os veículos de outras e sublocam para a prefeitura, isso quando essa locação realmente existe”.

FOTO: Dárcio Monteiro

Ministério Público detalhou esquema alvo de operação esta semana

Essa empresa de Paulo Jacinto atuaria também em outros municípios alagoanos. Segundo o promotor, ela funciona numa casinha de porta quebrada na cidade.

O promotor Carlos Davi explicou que o empresário Euzébio era motorista da família do Jacob Brandão e virou laranja nessa empresa de locação. Duas contas correntes da prefeitura foram encerradas pelo banco por movimentação atípica. Uma terceira já tinha sido aberta.

Max Davi é parente do Jacob e, de acordo com a investigação, consta como um dos beneficiados pelas quantias desviadas. Como o Júlio Brandão era presidente da Câmara, o mesmo esquema da prefeitura acontecia lá também, conforme o Gaeco.

“Mata Grande conseguiu se protagonizar, apesar de sabermos que existe corrupção em outras cidades. O ex-prefeito é uma pessoa procurada da polícia e vamos pedir a inclusão do nome dele na lista na Interpol”, revelou. Isso quer dizer que se ele estiver em outro país pode ser extraditado para o Brasil. O Júlio também vai entrar na lista de difusão vermelha.

Todos os contratos de locação nos 8 anos de mandado do ex-prefeito tiveram irregularidades. “Eram empresas de fachada que não possuíam carro nenhum. Uma parcela pequena dos carros contratados eram sublocados de munícipes ou da própria família dos envolvidos. Mas, a grande maioria não chegou a ser entregue à prefeitura”.

A vinculação dos carros com a família ficou clara por meio de documentação. Segundo o Gaeco, Max Davi tinha um caminhão que era sublocado à prefeitura.

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