15 mai, 2018
Ser negro e ter destaque deve incomodar muita gente, afirma delegado Assumpção

Polícia Civil vai iniciar apuração de ofensas racistas direcionadas a coordenador da Central de Flagrantes

TNM/Por Thiago Gomes e Tatianne Brandão   
FOTO: José feitosa

Ser negro e ter destaque deve incomodar muita gente, diz delegado

O delegado-geral Paulo Cerqueira vai designar um delegado ou uma comissão para apurar as circunstâncias da gravação que contém ofensas de conteúdo racista contra o delegado Leonardo Assumpção, coordenador da Central de Flagrantes I. Em entrevista à imprensa, Assumpção disse ter orgulho da negritude e avalia que está incomodando algumas pessoas racistas por ter uma função de destaque na sociedade.

O Sindicato dos Delegados de Polícia de Alagoas (Sindepol) e a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) encaminharam um ofício à Polícia Civil cobrando apuração rígida quanto a estes áudios. A assessoria de comunicação da Polícia Civil confirmou que ainda nesta terça-feira o delegado Paulo Cerqueira vai definir quem será ou serão os responsáveis por esta investigação. O propósito dela é chegar à autoria.

Assumpção disse que não ficou ofendido por ter sido chamado de negro. “Tenho muito orgulho da minha negritude, principalmente em um país racista como o Brasil, e diversas vezes temos enfrentado este problema, mesmo após 130 anos da Abolição da Escravatura”, disse o delegado.

Ele fez um comparativo com artistas negras de projeção nacional e que sofreram com o racismo, da mesma forma. “Por outro lado, ver um negro em posição de destaque, incomoda muita gente. Não que eu queira me comparar, já que sou um humilde servidor público, mas quando vemos Thaís Araújo, Sheron Menezes, Maria Júlia Coutinho, que estão fazendo sucesso e também sofreram ofensas racistas. E eu na minha realidade, como servidor público e exercendo a função de delegado, certamente estou incomodando alguns racistas que tiveram o trabalho de fazer esta postagem”.

Quanto a ser taxado de imoral, Assumpção foi incisivo. “Não me incomodei por terem me chamado de negro. E quando me chamam de imoral, meus 16 anos de polícia traçam a minha conduta. Fui até corregedor de polícia. Minha moralidade está clara e a instituição que trabalho me conhece”, avalia.

A causa da polêmica envolvendo o delegado teria sido a detenção pela PM, e a soltura, por decisão de Assumpção, de duas pessoas, na Vila Emater, no bairro de Jacarecica, em Maceió, acusadas de estarem de posse de um fuzil tipo Mosquefal, de uso exclusivo de forças policiais. A decisão do delegado provocou a revolta dos policiais, que, em grupos de mensagens, teriam dirigido ofensas a Leonardo Assumpção.

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