30 mai, 2018
Em 15 anos, Alagoas teve 842 pessoas resgatadas do trabalho escravo, aponta MPT

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Problema é mais concentrado em cinco municípios do Estado; exploração ainda é realidade

TNM/Por Jobison Barros e Larissa Bastos   
FOTO: Jobison Barros

Seminário também discutiu ações contra o trabalho escravo

Entre 2003 e 2018, 842 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo e/ou degradante somente em Alagoas. Os dados são do Ministério Público do Trabalho (MPT) e mostram que o problema permanece no Estado. Em todo o Brasil, nos últimos 20 anos, 50 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão.

As informações são alvo de debate no seminário “130 anos de abolição: reflexões sobre o passado, o presente e o futuro do trabalho escravo no Brasil”, realizado pelo órgão em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e a Lux Outmídia. O objetivo é apresentar um panorama do problema.

Além disso, também estão sendo discutidas ações contra o trabalho degradante e um resgate histórico da exploração e resistência dos negros no país. Para o procurador chefe do MPT/AL, Rafael Gazanneo, o evento não é uma comemoração pela abolição, uma vez que a escravidão continua a ocorrer, vitimizando trabalhadores que dependem disso para sobreviver com o mínimo.

“O trabalho escravo é uma realidade em Alagoas, por isso, não há o que celebrar, mas sim, discutir, debater, refletir acerca do que mudou, da realidade atual e do que ainda precisa se modificar. É preciso mostrar que os negros que foram libertados ainda continuam ocupando os piores postos de trabalho e sendo a maioria nas carceragens. Portanto, precisamos de ações afirmativas para o resgate dos trabalhadores de forma que ascendam culturalmente e economicamente”, pontuou.

Em Alagoas, até 2017, o combate ao trabalho escravo foi concentrado em cinco municípios: Rio Largo, com 401 pessoas resgatadas; Penedo, com 214; União dos Palmares, com 52; Roteiro, com 51; e Colônia Leopoldina, com 32. Em Feira Grande, 92 trabalhadores de casas de farinha foram libertados este ano.

Na semana passada, o Ministério Público do Trabalho também ajudou 38 trabalhadores alagoanos, da cidade de Murici, a voltar à terra natal. Eles foram arregimentados para trabalhar numa fazenda em Caraíba, próximo ao município de Porto Seguro, na Bahia.

FOTO: Jobison Barros

Procurador explica que trabalho escravo é realidade em Alagoas

Este ano houve apenas uma operação devido à precariedade na estrutura e no envio de verbas. E, de acordo com o órgão, o maior problema está na emigração: de 2003 a 2017, mais de 1.250 trabalhadores alagoanos deixaram a terra natal e acabaram sendo vítimas do crime em outros estados da federação.Os dados são do Observatório Digital do Trabalho Escravo, criado pela equipe do Smartlab de Trabalho Decente, uma iniciativa de cooperação técnica internacional do MPT com foco no fomento da gestão transparente, efetiva e informada de políticas públicas de promoção do trabalho decente.

Informações levantadas das operações do ministério apontam que a escravidão era vista por meio do trabalho forçado, da restrição de locomoção em razão de dívidas, da submissão a condições degradantes ou jornadas exaustivas, isoladas ou entrelaçadas.

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