4 dez, 2018
Renan Calheiros parte para o ataque contra concorrente à presidência do Senado

1480970887_110529_1480972021_noticia_normalSenador alagoano fez declarações dirigidas a Tasso Jereissati, ao Supremo Tribunal Federal e até ao parlamento do qual faz parte

TNM/Por Marcelo Amorim | Portal Gazetaweb.com   
FOTO: Geraldo Magela/Agência Senado

Renan Calheiros já presidiu o Senado por cinco vezes

O senador reeleito por Alagoas, Renan Calheiros (MDB), voltou a ganhar destaque no cenário político nacional ao se apresentar como candidato à presidência do Senado para os dois primeiros anos da próxima legislatura, que tem início em 1º de fevereiro, já com o País sob o comando do presidente eleito Jair Bolsonaro.

E, como toda disputa política, o parlamentar alagoano decidiu partir para o ataque contra outros possíveis concorrentes, embora até então negue ter decidido concorrer ao cargo máximo daquela casa legislativa. A medida que o quadro se desenvolve, as críticas contra ele ganham destaque no noticiário nacional.

A manifestação mais contundente de Calheiros partiu de publicação feita por ele mesmo em rede social, na qual considera que o nome dele, como candidato a presidente do Senado, teria provocado uma convulsão na Casa.

A postagem, no entanto, serviu para que o senador dirigisse ataques contra o provável candidato do PSDB ao mesmo cargo, o senador cearense Tasso Jereissati. Sem modéstia e com estima elevada com relação ao próprio nome, Renan se considera vitorioso na disputa contra o adversário, antes mesmo de se admitir candidato.

“Se for contra o Tasso, deverei ganhar no PSDB, no PDT, no Podemos, no DEM. Aliás, essa hipótese dificilmente se viabilizará. Primeiro, porque as urnas deram ao MDB o direito de indicar o candidato. Segundo, porque Tasso continua patrimonialista (tudo que os brasileiros mostraram não querer mais). Há três meses, eu estava cuidando da campanha em Alagoas e Tasso me ligou desesperadamente para que eu viesse a Brasília aprovar a manutenção do subsídio da indústria de refrigerante. Imagine: continua produzindo coca-cola e obrigando os cearenses a pagar 100% do custo da produção, inclusive da água, que nessa indústria representa 98%. E ainda querendo que o Senado continue a pagar o combustível do seu jato supersônico”, disparou Renan.

O senador alagoano afirmou ainda estar preocupado “apenas com o equilíbrio institucional” e aproveitou para tecer novos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao avaliar que “mais do que qualquer um eu sei – porque já vivi- que democracia nenhuma sobreviverá sob a coação de ministro do Supremo tentando afastar chefe de Poder por liminar”. As críticas de Calheiros também foram direcionadas ao atual parlamento do qual faz parte e que ele considera varrido pelas urnas.

“Agora, pessoalmente dedico-me a fechar a tampa dessa legislatura, que foi varrida pelas urnas. Continuam querendo aprovar o fim da ficha limpa (que o Senado adotou até para a administração), foi o mesmo que fiz quando aprovei a lei das estatais, para impedir aparelhamento político. Continuam querendo entregar a lei geral das telecomunicações (que ministro do STF suspendeu por conta do processo legislativo criminalizado), e ainda tentam aprovar a fictícia cessão onerosa de mais de 100 bilhões de reais, que valerá apenas para 2020”, reforçou o senador em publicação enviada para a imprensa pela assessoria de comunicação do parlamentar.

Renan Calheiros, que já presidiu o Senado por cinco vezes, destacou que, pela tradição da Casa, o partido com a maior bancada, no caso o próprio MDB com 12 senadores, teria o direito de indicar o presidente, mas que isso somente ocorreria no último instante antes da realização da eleição para o comando do poder, em 1º de fevereiro de 2019.

“Por que? Ora, o MDB só indicará seu nome na undécima hora (31/01). No passado tivemos eleições que sequer foi preciso indicá-lo, pois o nome se tornara consenso. Dos 12, eu sou o 1/12, e qualquer um pode ser candidato. Jamais inverteremos essa ordem natural. Se tiver de ser candidato, serei. E terei as maiores dificuldades na bancada do PT”, colocou.

Filho do presidente eleito descarta Renan

Diante da possibilidade de Calheiros sair candidato, o também senador eleito, Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair, descartou apoiar o nome de Renan, ao considerá-lo envolvido em casos de corrupção, pelo fato do senador alagoano responder atualmente a 14 processos no STF. Ele declarou que o pai presidente não deve interferir na escolha do próximo presidente da casa legislativa e assegurou que o grupo político do qual faz parte também não apoiará o nome do alagoano.

“O que ele tem de novo? Qual a colaboração que eles podem dar? Não é uma frente contra Renan, mas a favor do Brasil. Uma parte do Senado não vai caminhar com ele. Vamos conversar, para ver até onde ele [Renan] quer ir com isso”, declarou Flávio, à imprensa.

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