5 jun, 2019
Presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas adere a protesto que pedia ‘Lula Livre’

Comunista, Tutmés Airan justifica que apoiou ato apenas contra cortes na educação

Uma foto que se tornou viral nas redes sociais mostra o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), desembargador Tutmés Airan, diante de um cartaz que pede a libertação do ex-presidente Lula, condenado por instâncias superiores da Justiça por corrupção e lavagem de dinheiro.

A imagem registrada diante do TJAL, no último dia 30 de maio, provocou questionamentos sobre a postura ética do representante do Judiciário, que justificou sua presença na manifestação por ser professor universitário e defender aquela mobilização que tinha como foco principal a posição contra os cortes de verbas federais no ensino público.

Ao Diário do Poder, o desembargador, que é militante histórico comunista, afirmou que foi convidado por uma comissão de manifestantes a descer de seu gabinete para apoiar a manifestação contra os cortes na educação, quando a foto foi registrada.

Tutmés foi questionado pela reportagem se defendia o movimento ‘Lula Livre”; se acha que o ex-presidente foi condenado sem provas; e como tal libertação poderia ocorrer, com o Judiciário tendo confirmado a condenação em instâncias superiores e negando recursos.

E sua resposta afirmou que sua presença no protesto, enquanto professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), não representou nada além da manifestação contra os cortes na educação.

“Antes de ser desembargador, sou professor da Universidade desde 1997, salvo engano, talvez antes. Eu estava no Tribunal, o protesto contra o corte de verbas das universidades foi à porta do Tribunal e uma comissão de manifestantes pediu que eu descesse para conversar.

E, como sempre faço com relação a todos os movimentos, eu desci, conversei com eles, os abracei. Mesmo porque, na condição de professor, mais do que na condição de desembargador, julguei que o movimento teria que contar com meu apoio, com meu abraço. Porque, acima de toda essa discussão, amo a Universidade Federal de Alagoas, da qual sou fruto.

Se não fosse a Ufal, eu seria um pobre cidadão, sem expectativas, sem futuro e, certamente comporia a imensa legião dos pobres invisíveis, hoje. Fui ao movimento; achei que era pertinente, e essa foto aí foi alguém que tirou. Enfim, não quer dizer nada além disto. Me ajude, em nome das boas intenções a esclarecer este equívoco”, disse o desembargador Tutmés.

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