29 ago, 2019
Vinte anos sem Dom Hélder: não temos direito à indiferença diante das misérias

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Dom Hélder Câmara, nascido em 1909, faleceu aos 90 anos no dia 27 de agosto de 1999. O processo de reconhecimento como santo entrará em nova etapa no início de setembro.

Trata-se da abertura da fase romana das investigações para a beatificação do sacerdote.

Cidade do Vaticano

“Quem, seja rico ou seja pobre, sente-se desesperado, terá um lugar especial no coração do bispo. Mas não venho para ajudar ninguém a se enganar, a crer que seja suficiente um pouco de generosidade e assistência social. Há misérias que gritam, diante das quais não temos o direito de ficar indiferentes”.

Ouça e compartilhe!

São palavras de Dom Helder Câmara pronunciadas no dia da sua posse na diocese de Olinda e Recife em 11 de abril de 1964. Palavras que mexem nossas consciências contemporâneas com a mesma força de então. Hoje, como naqueles anos, “Dom Hélder nos exorta a não esquecermos dos pobres, dos indefesos, dos marginalizados. Nós cristãos devemos lutar pelo direito dos que não têm voz, pelos oprimidos e os que sofrem. Temos que nos engajar em prol da paz e da justiça”, explica frei Jociel Gomes, religioso capuchinho, postulador da causa de beatificação do arcebispo.

Setembro: nova etapa do processo de beatificação

Dom Hélder, nascido em 1909, faleceu aos 90 anos exatamente 20 anos atrás, dia 27 de agosto de 1999. Voz ativa contra a ditadura militar do Brasil, o religioso brasileiro caminha para se tornar santo da Igreja Católica; a fase local do processo reuniu 54 depoimentos. O processo de reconhecimento como santo entrará em nova etapa no início de setembro. Trata-se da abertura da fase romana das investigações. “O próximo passo será o Papa reconhecer, em nome da Igreja, que dom Hélder praticou em grau heroico as virtudes cristãs. Aí ele será declarado venerável”, disse Jociel Gomes.

Postulador: santidade de dom Hélder é incômoda

A santidade de dom Hélder é incômoda, como a de São Óscar Romero. “Ambos tinham uma profunda intimidade com Deus. Ambos eram pioneiros das palavras que hoje Papa Francisco prega com tanta veemência: uma Igreja em saída, capaz de alcançar as periferias geográficas e existenciais”, afirma o postulador. É uma feliz coincidência que a sua causa chegue ao Vaticano pouco tempo depois da proclamação de São Romero. E de São Paulo VI, com o qual dom Hélder – como o mártir salvadorenho – cultivou uma preciosa amizade espiritual.

Fidelidade ao Concílio

Além de compartilhar incompreensões e críticas pela fidelidade ao Concílio, ao qual ambos tinham participado e do qual ficaram profundamente marcados. Foi Paulo VI quem apoiou o “bispinho” – como era chamado por causa de sua altura – durante os difíceis anos da ditadura militar. Os generais, que Dom Hélder denunciava com coragem profética os abusos, tentavam desacreditá-lo de todos os modos. O “bispo vermelho”, zombavam por causa do seu compromisso evangélico em defesa dos direitos humanos e dos pobres que, até hoje, lotam a igreja das Fronteiras de Olinda, onde está a sua sepultura. Mas Paulo VI não dava crédito às falsas acusações. “Tinha saudades e vontade de revê-lo”, disse no último encontro em 15 de junho de 1978. “Irmão dos pobres e meu irmão”, foi a saudação de João Paulo II 8 anos depois durante a sua viagem ao Brasil. Mais uma prova do que o amado bispinho gostava de repetir: “a perseguição é normalíssima na vida cristã, mas Deus está conosco”.

Música de Antônio Cardoso homenageia o grande promotor da paz

E para homenagear aquele que era conhecido como o “dom da paz”, o autor e compositor Antônio Cardoso lança a música “Dom da Paz”. Este trecho da composição revela um pouco da grande personalidade de Dom Hélder.

“Das brumas lá do Ceará
Saíste a todo lugar
Pra celebrar com o povo que resiste
Um bom pastor é sempre assim
Vai com o povo até o fim
Que saudade desde que partiste”

(Dom da Paz – Antônio Cardoso)

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