10 set, 2019
Carlos Bolsonaro diz que país não terá mudança rápida ‘por vias democráticas’

Vice-presidente, Hamilton Mourão, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), rebateram as declarações do filho do presidente Jair Bolsonaro

 Por Portal Gazetaweb, com G1  

Após a repercussão da publicação, Carlos Bolsonaro publicou nova mensagem dizendo que apenas deu “uma justificativa”

FOTO: Divulgação

Um mensagem do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) publicada, nesta terça-feira (10), causou reações críticas veementes de autoridades em Brasília. O filho do presidente Jair Bolsonaro publicou a mensagem nas redes sociais.

O vereador carioca afirmou na publicação que a transformação que, segundo ele, o Brasil quer, não acontecerá na velocidade almejada, pelas vias democráticas.

“Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos… e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!”, afirmou o vereador em rede social.

Na manhã desta terça, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), criticaram a fala do vereador.

Após a repercussão da publicação, Carlos Bolsonaro publicou nova mensagem dizendo que apenas deu “uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes”.

Mourão

Em rápida entrevista na portaria da vice-presidência, no Palácio do Planalto, Mourão afirmou que a democracia é “fundamental”. Questionado se a democracia é importante e se deveria ser mantida no país, Mourão respondeu (veja no vídeo acima):

“Fundamental [democracia], são pilares da civilização ocidental. Vou repetir para você: pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte. Sem isso, a civilização ocidental não existe”, afirmou.

Mourão está no exercício da Presidência desde domingo (8), quando o presidente Jair Bolsonaro foi internado em São Paulo para a quarta cirurgia decorrente do atentado a faca que sofreu durante ato de campanha em Minas Gerais, no ano passado.

Sobre aprovar medidas mais rápidas, Mourão afirmou que é preciso “negociar” com o Congresso. “Temos que negociar com a rapaziada do outro lado ali da praça [em referência ao prédio do Congresso, que fica do lado oposto ao Planalto na Praça dos Três Poderes]. É assim que funciona. Com clareza, determinação e muita paciência”, declarou.

Alcolumbre

Ainda na manhã desta terça, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que declarações no sentido de enfraquecer a democracia tem o seu “desprezo”.

Uma manifestação ou outra em relação a esse enfraquecimento tem da minha parte o meu desprezo. Eu confio na democracia, eu acredito nas instituições e, por isso, eu cumpro meu papel tentando dar estabilidade a um país que de 200 milhões de brasileiros que aguardam as nossas respostas para emprego, mais saúde, mais educação”, declarou o presidente do Senado.

Em entrevista no Senado, Alcolumbre disse, ainda, que a “democracia está fortalecida”. Questionado se caberia fazer alguma transformação no país pelas vias não democráticas, como sugeriu Carlos Bolsonaro, Alcolumbre respondeu:

“O Senado Federal, o parlamento brasileiro, a democracia está fortalecida. As instituições, todas, estão pujantes, trabalhando todas pelo Brasil.”

Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a declaração de Carlos Bolsonaro “não cabe num país democrático”. Para Maia, frases como a proferida pelo filho do presidente da República devem “colaborar muito com a insegurança dos empresários brasileiros e estrangeiros de investir no Brasil”.

“O Brasil não vai crescer 2,5%, vamos ter mais desempregados, mais fome, mais pobreza e a conta das nossas frases quem paga é o povo mais pobre. É por isso que a gente tem que refletir, cada um de nós, tendo alguma posição relevante ou sendo parente de alguém relevante, tem que ter muito cuidado com o que diz”, afirmou.

Maia afirmou também que a democracia é o sistema que dá estabilidade aos países, e que todas as frases contrárias à democracia liberal geram danos à confiança no Brasil.

“A gente podia estar crescendo 2,5%, reforma da Previdência teve um resultado melhor que o espero, Câmara e o Senado é reformista, por que vai crescer menos de 1%? Alguma variável de sinalização que o Brasil está dando, que os agentes públicos de todos os poderes estão dando que está gerando insegurança naqueles que poderiam estar investindo no Brasil”, finalizou.

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