6 nov, 2019
Projeto anunciado por Bolsonaro pode acabar com sete municípios alagoanos

Política

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Sabia?

Qual a menor cidade do Brasil? Borá

25/02/2011 – Borá, no noroeste de São Paulo, já tinha motivos suficientes para ser uma cidade notável: é a menor cidade do Brasil tanto em população quanto em área estimada.

Mas agora os boraenses tem mais uma conquista a comemorar: a cidade vai entrar no Guiness Book por ser a cidade com maior penetração do Facebook no mundo, com 93% dos habitantes com uma conta na rede social do amigo do Homem-Aranha.

Este índice é o maior do que o de lugares como as Ilhas Malvinas (74,63%) e Mônaco (79,06%) – e, convenhamos, não deve ser muito difícil conquistá-lo com uma população de apenas 805 pessoas.

Esta honraria sem precedentes do mundo tecnológico foi conquistada com a ajudinha de uma campanha da Halls, que organizou na cidade um movimento visando que toda a população maior de 13 anos se cadastrasse no Facebook. Tudo isso para divulgar o novo produto da sua linha, que tem tamanho proporcional ao da diminuta cidade.

837 habitantes

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24/01/2010 – Não precisa ir muito algo pra ver tudo, de cima parece um pequeno bairro. Esse é o retrato de Borá, a menor cidade do Brasil, a 430 quilômetros de São Paulo. São 22 ruas, sem semáforo, uma padaria, dois mercados, 1 posto de gasolina e 1 carteiro.

Um vereador é eleito com 17 votos e dois policiais bastam para fazer a ronda das ruas. Na delegacia, não há presos e o telefone de emergência da polícia raramente toca. O último homicídio registrado em Borá aconteceu em 2004. Um crime passional.

A Usina de açúcar e álcool e a prefeitura são praticamente as únicas fontes em Borá, juntas garante emprego para a metade da população. As mortes também são raras, foram 5 nos últimos 4 anos, isso que em 2007 e 2008 o livro de óbitos ficou em branco. E desde o dia 22 de abril de 1981, não nasce ninguém na cidade de Borá. Não há maternidade, nem hospital.

Ninguém mais se surpreende com repórteres curiosos por personagens como o frentista Carlos Roberto de Carvalho, de 29 anos, o último a nascer de fato no lugar – na falta de hospital, os novos habitantes nascem na vizinha Paraguaçu Paulista, a 13 quilômetros.

Outra celebridade é o vereador menos votado do país, Wilson Camato, eleito com 27 votos. As atrações incluem ainda os redutos da ordem municipal. São eles: a delegacia, inaugurada em 1995 mas ainda nova em folha e que emprega dois funcionários mesmo sem nunca ter tido um preso sequer, e o grupamento da Polícia Militar, cujos policiais (dois a cada turno de 24 horas), quando são chamados, geralmente, é para apartar briga entre companheiros de bar que beberam demais.

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Em meados da década de 1960, cansados da falta de atenção dada a Borá por Paraguaçu Paulista, cidade da qual se tornou distrito em 1934, seu Manoel, o também sitiante Leonildo Rodrigues e o tabelião Manoel Galo foram até o então governador de São Paulo solicitar a emancipação. Segundo o relato, Adhemar de Barros só pediu que fosse feito um plebiscito para saber se era essa a vontade da população.

Nesse caso, o novo município ganharia vida. “Todos queriam. Estavam cansados de fazer parte de Paraguaçu”, conta Manoel Caldas.

No caminho, o sitiante quase ganhou um inimigo: um tio, que era vereador em Paraguaçu Paulista e que, até então, tinha no boraense um cabo eleitoral confiável. “Mas, um tempo depois, ele disse que não tinha mágoa de mim.

Não tenho inimigos; é por isso que vivo bem”, fala. E foi assim que, em 31 de março de 1965, Borá se tornou município. O primeiro prefeito, o tabelião Manoel Galo, hoje é homenageado em uma praça com seu nome e um monumento de metal que consiste em um… galo.

Apesar de ter sido poderosa durante um tempo, a família de Manoel Galo – que, curiosamente, não era de Borá – não deixou muitos herdeiros. Uma parte considerável das pessoas da cidade, no entanto, pertence ao clã dos Caldas.

Seu Manoel teve dez filhos, 33 netos, 40 bisnetos e, até o momento, dez tataranetos – juntos correspondem a quase 12% da população. A mais nova da família, com 10 meses de idade, é a fotogênica Emanuelly. Como a outra ponta de uma corda que começa em seu tataravô, é também o mais jovem membro da população local.

Apesar de todas as particularidades, Borá tem problemas e qualidades como qualquer cidade brasileira. É o Brasil em escala reduzida, um laboratório em que se pode observar e entender melhor questões complexas a respeito de demografia, política, assistencialismo, desenvolvimento urbano e psicologia social.

Perdendo o título

Já em 2012, contudo, o município deve perder o título de menor do Brasil para Serra da Saudade, no interior de Minas Gerais, que vê partir a cada ano uma fração de seus 815 habitantes. Os saudadenses abandonam o chão em que nasceram por um motivo elementar no mundo de hoje: a falta de trabalho.

Borá, por outro lado, tem perspectivas atraentes a médio prazo. O crescente investimento brasileiro no etanol da cana-de-açúcar talvez faça ainda do pequeno lugar um grande centro urbano.

Quando esse dia chegar, o que será da cidadezinha organizada e limpa, descoberta há pouco tempo por aposentados em busca de sossego?

Para quem esteve lá no começo deste ano curioso para conhecer a nova atração brasileira consagrada pelo censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), talvez faça falta a oportunidade de prosear com figuras emblemáticas, como o altivo Manoel Caldas, sempre com o cabelo penteado com esmero, camisa abotoada, cinto, calça e botina impecáveis.

Ou o cabo Nogueira, o policial mais bem-humorado e bem relacionado com a população que alguém possa conhecer – prestes a aposentar-se. E seu amigo Carlinhos, o maior de todos os boêmios e dono de uma coerência capaz de espantar de os guardiões da moral e dos bons costumes que um dia se propuserem a ouvi-lo com atenção.

Nesse futuro ainda hipotético, muito mais pessoas vindas “de fora” farão parte da população e não reconhecerão uns aos outros pelo nome. E o intenso ir e vir de cartas e encomendas tornará impossíveis histórias como a da funcionária dos Correios que ficou tanto tempo sem abrir a caixa de correspondência em frente à sede do órgão que, quando o fez, encontrou uma enorme casa de marimbondos.

Os candidatos a prefeito talvez não sejam mais conhecidos por alcunhas como João do Posto, Luiz Seringueira e Luiz do Açougue. Haverá mais eleitores que os desproporcionais 924 – segundo os boraenses, gente que mudou de cidade mas não transferiu o título.

O prefeito de então não terá espaço na agenda para ser padrinho de casamento de moradores. E estarão acabadas as esperanças de ver uma noiva ir à cerimônia em cima de um trator, o que quase aconteceu com a dona de casa Denise da Cruz em janeiro, quando a chuva castigou a estrada de terra que liga o sítio onde mora a uma das três igrejas evangélicas.

Infelizmente, é provável que a taxa de criminalidade ultrapasse o único assassinato cometido desde que Borá se tornou município, quando, em 2004, foi disparado um dos dois únicos tiros da história local – o outro foi dado para acabar com o sofrimento de um cachorro agonizante. E pode ser que haja um acréscimo no uso de crack, a droga homicida que já chegou à cidade e tem nos adolescentes os maiores usuários.

Por fim, há que se antever algumas vantagens na mudança. É certo que, por exemplo, haverá mais gente para homenagear e as ruas não precisem mais ter nomes como Marca do Tempo, Calada da Noite, Preço da Glória, Recanto Tranquilo, Paraíso, Céu Brilhante, Berço de Ouro, Brisa do Passado, Preciosa. E então a vida em Borá nunca mais será a mesma.

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Presidente encaminhou ao Congresso Nacional pacote de medidas econômicas, que prevê a extinção de cidades com menos de 5 mil habitantes

TNM/Por Marcelo Amorim | Portal Gazetaweb.com 

Mar Vermelho possui menos de 5 mil habitantes e pode ser extinta

FOTO: Assessoria/Prefeitura Municipal

Ao apresentar nesta terça-feira (05) seu pacote de reformas na área econômica ao Congresso Nacional, que inclui a reforma administrativa do estado, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) propõe a extinção de municípios com menos de 5 mil habitantes e com arrecadação própria menor que 10% da receita total das localidades.

A proposta, se levada adiante, pode resultar na eliminação de sete cidades de Alagoas, que, conforme a proposta, teriam que ser incorporadas a outros municípios.

A medida proposta pelo presidente acaba com os municípios alagoanos de Palestina, Olho D´Água Grande, Belém, Jundiá, Feliz Deserto, Pindoba e Mar Vermelho.

Todos essas localidades possuem menos que 5 mil habitantes, segundo estimativas de 2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), e estão localizadas nas regiões Sertão, Médio e Baixo São Francisco, Agreste e Zona da Mata. Pela proposta, as cidades atingidas serão anexadas a municípios vizinhos com maior população.

Entre todos os 102 municípios de Alagoas, Pindoba é o menos populoso do estado com apenas 2.908 habitantes.

Em todo o País, ainda conforme o IBGE, entre os 5.570 municípios, há atualmente 1.254 com população inferior a 5 mil habitantes.

No aspecto econômico, entre as sete cidades alagoanas que podem ser atingidas, Feliz Deserto possuía em 2012, último ano de medição pelo IBGE,  a melhor renda per capta anual entre todas, mesmo assim com valor de apenas R$ 9.306,68.

A que tem a população com menor renda em todo o estado é Olho D´ Água do Casado com R$ 4.279,47.  Maceió, a cidade mais rica de Alagoas, a renda é de R$ 14.364,48.

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