21 nov, 2019
Com “Lula Livre”, esquerda pode virar o jogo na eleição de Maceió, avalia deputado

Os ventos que “sopram” hoje na Argentina e no Brasil (nessa conta cabem Chile, Venezuela, Bolívia, Peru etc) apontam para altos de baixos entre esquerda e direita cada vez mais radicalizadas nas Américas – do Sul, especialmente.

Pela primeira vez, desde a ditadura militar, o Brasil tem um governo de direita. Por completo. Na ideologia e na prática.

A esquerda, fragilizada por denúncias de corrupção, promete novo fôlego com a liberdade de Lula. O ex-presidente deixou a prisão após 180 dias e tenta liderar um movimento nacional de olho em 2022 e com passagem obrigatória pelas eleições municipais de 2020.

O “novo momento” dá ânimo a candidatos de esquerda, especialmente nos maiores centros.

Em Maceió, o PT trabalha com a meta de lançar um nome para disputar a prefeitura no próximo ano (possivelmente Ricardo Barbosa).

Na mesma linha – um pouco mais para centro-esquerda – Ronaldo Lessa continua bem nas pesquisas e tenta juntar forças com a ex-senadora Heloisa Helena. O PSOL, o PCdoB e outras legendas menores também sinalizam interesse em lançar nomes próprios na disputa.

Ninguém, no entanto, apostava nas chances de qualquer candidatura de esquerda em Maceió até a saída de Lula da prisão, no dia 8 passado.

Nos bastidores, muitos apostam na volta da esquerda ao jogo. Um deles é o deputado estadual Sílvio Camelo (PV) – e não só ele.

O deputado, não é segredo para ninguém, tem boa relação com a esquerda alagoana. Mas também é pé no chão.

E passou a enxergar no “Lula Livre” uma nova possibilidade: “dependendo de como as pessoas vão reagir a esse novo momento, a esquerda pode ter um bom desempenho, com chances até de colocar um nome no segundo turno. Tudo vai depender da capacidade de transferência de votos de Lula e da articulação do PT em Alagoas.

De toda forma o cenário hoje é bem mais favorável à esquerda do que era há poucos dias”, aponta Camelo.

É claro que essa articulação da esquerda depende – ao menos no caso do PT – de uma boa conversa com o grupo do governador Renan Filho. O partido, dizem, pode até trabalhar para indicar o vice (se o cabeça de chapa for um nome mais alinhado com a esquerda) ou lançar candidato próprio. Mas essa é outra história.

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