9 jan, 2020
Nova tarifa de ônibus pode comprometer 19% do salário mínimo

Geral 

Estudantes e trabalhadores realizaram protestos contrários ao aumento
FOTO: Luan Oliveira

TNM/Por Marcela dos Anjos | Portal Gazetaweb.com

Passagem de ônibus permanecerá em R$ 3,65 até que haja reunião com o prefeito

MP/AL atesta que tarifa de ônibus a R$ 4,10 seria desfavorável à população
A população da capital alagoana que tem como renda o salário mínimo precisará desembolsar, pelo menos, 18,9% de sua renda mensal somente com tarifas de ônibus caso o novo reajuste, no valor de R$ 4,10, seja sancionado. O resultado provém de um levantamento feito pela agência Tatu.

A tarifa aprovada pelo Conselho Municipal do Transporte Coletivo de Maceió, em dezembro de 2019, corresponde ao maior percentual com relação ao salário mínimo praticado em cada ano, desde 2012, período em que o trabalhador recebia R$ 545 e a passagem custava R$ 2,30, consumindo mais de 20% do salário.

O valor de R$ 4,10 é 12,3% maior que o último reajuste realizado em 2018, enquanto a variação salarial, até janeiro deste ano, foi de apenas 8,9%.

Em levantamento realizado, a agência Tatu usou como base o valor gasto com 24 passagens (ida e volta) como média de uso mensal do trabalhador. Nesse cenário, o usuário gastaria R$ 196,80 todos os meses apenas com transporte.

MP diz ser desfavorável

A aprovação do novo valor do reajuste da passagem de ônibus em Maceió foi alvo de discussão em uma reunião convocada pelo Ministério Público Estadual (MPE), na manhã da terça-feira (7), na sede do Centro de Apoio Operacional (Caop), situado no bairro do Farol.

Os promotores presentes ao encontro atestaram que a tarifa proposta seria desfavorável à população, que não pode ser acometida pelo “desequilíbrio financeiro das empresas de ônibus em virtude da perda de usuários do transporte público”.

Na reunião, o promotor Jorge Dória informou que a questão envolvendo o transporte vai além do valor proposto pelo conselho de trânsito.

Em sua visão, o órgão ministerial encara o assunto com “absoluta prioridade”, entendendo ser necessária uma melhoria efetiva em todo o sistema. “É preciso estabelecer prioridades e encarar o transporte público como um serviço essencial à população”, salientou.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Maceió (Sinturb), representado por Fernanda Paiva, a tarifa de remuneração encontra-se deficitária.

Na oportunidade, ela defendeu que, desde 2018, não há reajuste na tarifa de remuneração e, consequentemente, na tarifa pública. “Maceió é a capital do Nordeste que mais concede gratuidades em comparação com outras capitais da região”.

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