O músico Zailton Sarmento nos deixa como um acorde solto no ar

A Covid-19 faz o estrago próprio das tragédias coletivas: dilui vidas e mortes nas suas estatísticas, e Zailton nos deixa como um acorde parado, solto no ar, até que alguém, também de talento superior, o recolha e dê o desfecho que merecem as grandes obras de arte.
Reparando bem, talvez tenha faltado apenas ambição ao multi-instrumentista Zailton Sarmento. Porque talento ele sempre teve e demonstrou, desde garoto, quando lhe chegou às mãos o primeiro companheiro de arte e ofício.

Não sei se um violão, um cavaquinho, uma viola, uma flauta ou outro objeto inanimado a quem ele dava vida, como se um sopro seu bastasse para que se fizesse o milagre.

Conheci-o no início da década de 1970, e ele já era então um assombro. Todos que o viam e ouviam tocar algum instrumento lhe projetavam um futuro grandioso, tal era o espanto que ele provocava aos espectadores e ouvintes – eu era um deles. E ele viveu esse tempo. Ao seu modo, com a cordialidade serena e a naturalidade que o distinguiam.

Talvez o seu talento fosse mesmo tão farto que era o que lhe bastava: ele tocava, o público admirava e a vida estava bem paga.

A Covid-19 faz o estrago próprio das tragédias coletivas: dilui vidas e mortes nas suas estatísticas, e Zailton nos deixa como um acorde parado, solto no ar, até que alguém, também de talento superior, o recolha e dê o desfecho que merecem as grandes obras de arte

TNM une-se aos amigos e admiradores de Zailton Sarmento nesta simples homenagem 

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