Documentário sobre afundando do solo em Maceió terá pré-lançamento em São Paulo

Com pré-estreia marcada para quinta-feira (22), o longa-metragem retrata o maior crime socioambiental em curso no planeta

Com pré-estreia marcada para quinta-feira (22), o longa-metragem retrata o maior crime socioambiental em curso no planeta

Carlos Pronzato estará em São Paulo para o pré-lançamento do longa-metragem “A Braskem passou por aqui: a catástrofe de Maceio”. A exibição do filme, que retrata o maior crime socioambiental em curso no planeta, acontecerá às 19h, no espaço Corp Tower (Rua Bela Cintra, nº 1200), entre a Av. Paulista e a Alameda Santos.

Para falar sobre a narrativa das vítimas, o empresário e ativista alagoano Alexandre Sampaio estará ao lado do cineasta, a partir das 18h, em conversa com a imprensa, na tentativa de furar o cerco e o silêncio imposto pelo poderio econômico da multinacional autora do crime em Alagoas.

“Lançar o documentário em São Paulo significa fazer ecoar a voz das 67 mil vítimas desse crime para além dos olhos e ouvidos onipresentes da mineradora criminosa em Alagoas, denunciando a proporção inédita de um desastre ambiental que seria um verdadeiro escândalo em qualquer outro lugar do mundo, digno das manchetes dos veículos de imprensa mais importantes do planeta!”, declarou o diretor do documentário, Carlos Pronzato.

Pôster de divulgação – Foto: Reprodução
Sobre o Documentário

O documentário de Carlos Pronzato relata, em 80 minutos, o drama das vítimas e o silêncio das autoridades. Pronzato passou várias semanas no “Paraíso das Águas”, onde os tradicionais bairros Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Farol estão afundando em meio à 35 minas de sal-gema.

Essas minas foram exploradas durante mais de 40 anos pela petroquímica Braskem (controlada pela Odebrecht e a Petrobrás) sem qualquer fiscalização efetiva por parte de autoridades e agentes públicos. A partir de março de 2018, as cavernas de sal começaram a desabar, gerando um terremoto de 2,5 graus na escala Richter. Até o momento, o problema segue em expansão geográfica, condenando cada vez mais moradias e negócios.

Você pode assistir o trailer do filme aqui.

Ex-secretário do meio ambiente em Alagoas

José Geraldo Marques – Foto: Reprodução

José Geraldo Marques, um dos entrevistados do longa-metragem, era gestor da pasta de meio ambiente em Alagoas, quando a atividade minerária foi iniciada na cidade de Maceió. “O principal desafio era saber por que a Braskem tinha vindo, ninguém pediu Braskem aqui, nem Salgema, nem nada. Um dos principais interessados era o presidente Geisel. Depois, ele veio a Maceió, inclusive, para tratar do assunto. Mas a notícia veio assim: olha, nós vamos implantar em Alagoas um complexo cloroquímico.”.

“O que precisava era realmente de uma licença para implantação. Nós, da equipe da coordenação do Meio Ambiente, achávamos que o certo era que a licença fosse dada por nós. Nunca foi pedida essa licença, nem me consta que houve licença oficial do governador Divaldo Suruagy. Eu não sei como eles se instalaram e dizem, hoje, que foi tudo feito de acordo com licenciamento. Eu tenho pedido insistentemente que me mostrem essa licença e não mostram. Eu não sei se ela existe ou não, mas nós tínhamos decidido: da maneira como está sendo proposto, isso aqui tem um potencial de danos ao meio ambiente desde o momento da sua implantação até o futuro. Chegamos a apresentar um documento em que deixávamos claro o perigo de subsidência (afundamento do solo)’, completou.

Sobre Carlos Pronzato

Carlos Pronzato – Foto: Marco Aurélio Martins

Carlos Pronzato é poeta, escritor, diretor teatral e cineasta/documentarista argentino residente no Brasil. Suas obras audiovisuais e literárias destacam-se pelo compromisso com a cultura, a memória e as lutas populares.

Dentre seus mais de 80 documentários, destacam-se: “O Panelaço, a rebelião argentina”, “Bolívia, a guerra da água”, “Buscando Salvador Allende”, “Carabina M2, uma arma americana: Che na Bolívia”, “Carlos Marighella. Quem samba fica, quem não samba vai embora”, “A partir de agora: as Jornadas de Junho 2013 no Brasil”, “Dívida Pública Brasileira: a Soberania na Corda Bamba”, “Acabou a Paz, isto aqui vai virar o Chile: escolas ocupadas em São Paulo”, “1917, a Greve Geral”, “Mestre Moa, a primeira vitima”, “Lama, o crime Vale no Brasil, a tragédia de Brumadinho”. Entre outras importantes distinções, recebeu: em 2008, o prêmio da CLACSO (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais); em 2009, na Itália, o prêmio Roberto Rossellini; em 2018, o prêmio Liberdade de Imprensa do Tribuna Livre (RJ); em 2019, o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cataguases (MG); em 2020, o prêmio de Direitos Humanos da OAB (RS).

Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp

Veja também: