Vladimir Putin diz que países do Ocidente erram ao achar que a Rússia nunca usaria armas nucleares

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira (5) que os países do Ocidente estão errados ao achar que o governo russo nunca usaria armas nucleares. Ele também afirmou que está pensando em colocar mísseis a uma distância que permite um ataque aos Estados Unidos e seus aliados.

Putin quer receber as prioridades do complexo industrial-militar em 24h

TNM/Por Reuters

Vladimir Putin durante entrevista em 5 de junho de 2024 — Foto: Vladimir Astapkovich/Sputnik/Via Reuters

Vladimir Putin durante entrevista em 5 de junho de 2024 — Foto: Vladimir Astapkovich/Sputnik/Via Reuters

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira (5) que os países do Ocidente estão errados ao achar que o governo russo nunca usaria armas nucleares. Ele também afirmou que está pensando em colocar mísseis a uma distância que permite um ataque aos Estados Unidos e seus aliados.

A relação da Rússia com países do Ocidente piorou desde o começo da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, e o governo russo já afirmou diversas vezes que o risco de uma guerra global está aumentando.

Putin deu uma entrevista a editores de agências de notícias internacionais pela primeira vez desde o começo da guerra e afirmou que a ideia de que a Rússia atacaria países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é “imbecil”, porque a aliança militar é muito poderosa.

No entanto, ao ser questionado sobre o risco de uma guerra nuclear, o líder russo disse que a doutrina nuclear do país dele permite o uso dessas armas caso a integridade territorial ou a soberania da Rússia esteja sob ameaça.

“Por algum motivo, o Ocidente acredita que a Rússia nunca usaria (armas nucleares)”, ao ser perguntado sobre o risco de uma escalada na guerra da Ucrânia que leve ao uso dessas armas.

“Nós temos uma doutrina nuclear, veja o que o texto diz. Se as ações de alguém ameaçam a nossa soberania e nossa integridade territorial, consideramos que é possível usarmos todos os meios de que dispomos. Isso não deve ser interpretado de maneira leve ou superficial”, disse ele.

Rússia mostra força nuclear e faz novas ameaças

Em 2020, a Rússia publicou os termos de sua doutrina nuclear: as armas podem ser empregadas como resposta a um ataque com armas nucleares ou outras armas de destruição em massa, ou mesmo ao uso de armas convencionais contra a Rússia “quando a própria existência do estado estiver ameaçada”.

Putin rejeitou as afirmações ocidentais de que a Rússia tem feito ameaças nucleares e disse que os EUA foram o único país a usar armas nucleares (uma referência aos ataques às cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945, no fim da Segunda Guerra).

Mísseis próximos dos rivais

Desde o começo da guerra, países do Ocidente deram armas para que a Ucrânia se defendesse da invasão russa.

Recentemente, houve uma mudança: os governos desses países permitiram que as forças ucranianas usem essas armas para atacar território russo.

Putin disse que essa decisão é uma escalada séria, e que, se essas armas forem empregadas, provavelmente isso será feito com o uso de militares e sistemas dos países ocidentais.

O presidente Joe Biden, dos EUA, não autorizou a Ucrânia a usar todas as armas fornecidas pelos EUA contra território russo —os mísseis ATACMS, que têm alcance de até 300 km, não podem ser empregados contra a Rússia.

Putin afirmou que se forem usados ATACMS americanos ou mísseis Storm Shadow, do Reino Unido, Moscou vai responder de maneira mais forte.

“Nós vamos melhorar nossas defensas aéreas para destruí-los. Em segundo lugar, se alguém pensa que é possível enviar armas como essas a uma zona de guerra para atacar nosso território e criar problemas para nós, então por que nós não teríamos o direito de enviar as nossas armas de mesma classe para regiões do mundo onde ataques podem ser feitos contra instalações dos países que fazem isso contra a Rússia? A resposta pode ser assimétrica. Se virmos que esses países estão sendo atraídos para uma guerra contra a Federação Russa, nós nos damos o direito de agir de forma igual. De maneira geral, esse é um caminho para problemas muito sérios.”

 

 

 

 

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