{"id":54028,"date":"2026-05-12T11:27:36","date_gmt":"2026-05-12T14:27:36","guid":{"rendered":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/?p=54028"},"modified":"2026-05-12T11:41:09","modified_gmt":"2026-05-12T14:41:09","slug":"juros-pressionam-a-divida-mais-que-gastos-publicos-dizem-economistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/2026\/05\/12\/juros-pressionam-a-divida-mais-que-gastos-publicos-dizem-economistas\/","title":{"rendered":"Juros pressionam a d\u00edvida mais que gastos p\u00fablicos, dizem economistas"},"content":{"rendered":"<header id=\"header-site\" class=\"header-site full-width rel-position\">\n<div class=\"header-veiculo full-width\">\n<p><a class=\"logo-veiculo\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/themes\/agenciabrasil_v3\/images\/agbrasil-color-logo.svg?tb0ok8\" alt=\"logo Ag\u00eancia Brasil\" width=\"268\" height=\"37\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 268px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 268\/37;\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"content-center rowflex rowflex-full rel-position\">\n<div class=\"container-btns-menu rowflex rowflex-full\">\n<div id=\"menu-btn-mob\" class=\"menu-btn\" title=\"Menu\">\n<div class=\"menu-btn__burger\"><img decoding=\"async\" id=\"media-355333\" title=\"Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/WXJ-TVW3Em7Z3NT4nOgtcTm4Lxw=\/1170x700\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/20231025_144352.jpg?itok=PxFpBx7Z\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 26\/10\/2023, Pr\u00e9dio do Banco Central em Bras\u00edlia. Foto: Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/>\u00a9 Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"region region-content\">\n<div id=\"block-system-main\" class=\"block block-system\">\n<div class=\"content\">\n<div id=\"panel\" class=\"container-noticia rel-position\">\n<div id=\"node-1689016\" class=\"node node-conteudo clearfix\">\n<div class=\"header-noticia full-width\">\n<p><strong><a class=\"editoria\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\">Economia<\/a><\/strong><\/p>\n<div class=\"linha-fina-noticia\"><strong>Especialistas contestam ideia de que despesa p\u00fablica \u00e9 o problema<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"subheader\">\n<div class=\"container-autoria\">\n<div class=\"autor-noticia\">TNM\/Por Lucas Pordeus Le\u00f3n &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/div>\n<div class=\"container-data rowflex\">\n<div class=\"data\">Publicado em 12\/05\/2026 &#8211; 08:02<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"local\">Bras\u00edlia<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"conteudo-noticia\">\n<p>Economistas ouvidos pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0descartam a tese de que os gastos p\u00fablicos s\u00e3o o vil\u00e3o da economia e os respons\u00e1veis pela eleva\u00e7\u00e3o dos juros e da d\u00edvida p\u00fablica do Brasil. Na avalia\u00e7\u00e3o desses especialistas, s\u00e3o os juros altos pagos pela Uni\u00e3o \u2013 que consumiram R$ 1 trilh\u00e3o em um ano \u2013 que pressionam a d\u00edvida do Estado, prejudicando a oferta de bens e servi\u00e7os produtivos enquanto d\u00e3o enormes lucros para os bancos do pa\u00eds.<img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1689016&amp;o=node\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1689016&amp;o=node\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/p>\n<p>A professora de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Juliane Furno destaca que o principal fator de eleva\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica no Brasil s\u00e3o os juros\u00a0e n\u00e3o os gastos \u201cprim\u00e1rios\u201d, usados para pagar funcion\u00e1rios e os servi\u00e7os prestados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 uma hipocrisia apontar que os juros altos respondem \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, porque s\u00e3o os juros que a causam. Se voc\u00ea decompor os componentes da d\u00edvida p\u00fablica voc\u00ea vai ver que o d\u00e9ficit prim\u00e1rio \u00e9 o que menos impacta a d\u00edvida\u201d, afirmou a doutora em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/pY-OvW1h3LCx7Xet7uZg1nrTiQ8=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/02\/11\/demori_juliane_24.jpg?itok=rAeMYJon\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 11\/02\/2025 - Lendro Demori entrevista a economista Juliane Furno no DR com Demori . Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">Economista Juliane Furno diz que o principal fator de eleva\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica no Brasil s\u00e3o os juros\u00a0Foto:\u00a0<strong>Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Nos \u00faltimos 12 meses at\u00e9 mar\u00e7o, o Brasil gastou R$ 1,08 trilh\u00e3o com juros,<\/strong>\u00a0o que representa 8,35% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2026, a D\u00edvida Bruta do Governo Central \u2013 que re\u00fane Uni\u00e3o, INSS, estados e munic\u00edpios &#8211; cresceu 1,4 ponto percentual (p.p.), chegando a 80,1% do PIB (R$ 10,4 trilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Segundo o Banco Central, o principal respons\u00e1vel por esse aumento foram os juros nominais. \u201cO aumento [da d\u00edvida] de 1,4 p.p. do PIB resultou da incorpora\u00e7\u00e3o de juros nominais (+2,4 p.p.), das emiss\u00f5es l\u00edquidas de d\u00edvida (+0,4 p.p.)\u201d, diz\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/estatisticas\/estatisticasfiscais\">o comunicado<\/a>.<\/p>\n<p>A professora de economia pol\u00edtica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Maria Mello de Malta avalia que o atual modelo macroecon\u00f4mico que combina altas taxas de juros com exig\u00eancias de corte de gastos prim\u00e1rios \u00e9 fruto de decis\u00e3o pol\u00edtica \u2013 e n\u00e3o t\u00e9cnica &#8211; que favorece a economia focada no setor financeiro.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO que mais me choca \u00e9 usar um pa\u00eds\u00a0que tem o tamanho do Brasil como uma simples plataforma financeira, como se f\u00f4ssemos Su\u00ed\u00e7a ou Ilhas Cayman, que s\u00e3o min\u00fasculas. \u00c9 condenar 210 milh\u00f5es de pessoas a uma vida cara e endividada porque voc\u00ea quer beneficiar um setor que emprega t\u00e3o pouco e que, enfim, j\u00e1 ganha bastante\u201d, enfatizou a economista.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Juros, d\u00edvidas e gastos<\/h2>\n<p><strong>O endividamento das fam\u00edlias no Brasil, que levou o governo a lan\u00e7ar o\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2026-05\/entenda-o-novo-desenrola-brasil-lancado-pelo-governo-federal\">Novo Desenrola<\/a>, reacendeu o debate sobre os juros reais praticados no pa\u00eds<\/strong>, o segundo mais alto do mundo, atr\u00e1s apenas da R\u00fassia.<\/p>\n<p>Nesse contexto, economistas com destaque na imprensa t\u00eam justificado que o Banco Central (BC) apenas est\u00e1 reagindo \u00e0 trajet\u00f3ria dos gastos p\u00fablicos do Estado, pois os gastos teriam o poder de estimular a demanda e pressionar a infla\u00e7\u00e3o para cima.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o apresentada seria ent\u00e3o o corte de gastos p\u00fablicos, o que poderia prejudicar servi\u00e7os como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e atingir direitos como a aposentadoria dos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>O pr\u00f3prio BC, por meio das suas atas do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), pede corte de gastos, chamado de \u201cdisciplina fiscal\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Comit\u00ea reafirma a vis\u00e3o de que o esmorecimento no esfor\u00e7o de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de cr\u00e9dito direcionado e as incertezas sobre a estabiliza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica t\u00eam o potencial de elevar a taxa de juros\u201d, diz a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/publicacoes\/atascopom\">ata do final de abril<\/a>.<\/p>\n<h2>Tese alternativa<\/h2>\n<p><strong>Por outro lado, h\u00e1 um grupo de economistas que divergem dessa avalia\u00e7\u00e3o. Para esses especialistas, os gastos p\u00fablicos devem ser protegidos, pois favorecem mais os mais pobres, e os juros devem ser cortados, pois beneficiam apenas o mercado financeiro.<\/strong><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, por essa corrente, a infla\u00e7\u00e3o deve ser controlada, principalmente, estimulando a oferta e n\u00e3o apenas combatendo a demanda, como faz a taxa Selic praticada pelo BC. O pr\u00f3prio BC estima que cada 1 p.p. de aumento da Selic aumenta a d\u00edvida em mais de R$ 50 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A professora da UFRJ Maria Malta destacou que, se o governo quiser reduzir a d\u00edvida p\u00fablica, tem que cortar juros.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cOs juros s\u00e3o a maior conta que ele tem que pagar. Por outro lado, o gasto p\u00fablico tem um efeito multiplicador na economia. Gastar menos s\u00f3 tem um efeito: piorar o crescimento econ\u00f4mico, aumentar o desemprego e a d\u00edvida porque o lado da receita diminui quando o crescimento diminui\u201d, explicou a doutora em economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).<\/p><\/blockquote>\n<p>Para a especialista, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel comparar o Estado com uma fam\u00edlia, ou com uma empresa, como alguns economistas fazem para criticar o endividamento do Estado, que tenderia a gastar mais do que arrecada.<\/p>\n<p>\u201cA l\u00f3gica do indiv\u00edduo privado \u00e9 completamente diferente da do Estado porque o indiv\u00edduo privado n\u00e3o emite sua pr\u00f3pria moeda, nem define sua taxa de juros\u201d, explicou.<\/p>\n<h2>Estimular a oferta<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"UNB\/Divulga\u00e7\u00e3o\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/2HPy64DISXxxoMF5RYXtF_DeYxM=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/05\/10\/maria-de-lourdes-rollemberg.jpg?itok=XQmkVCbM\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 10\/05\/2024 - Professora de economia da UnB, Maria Lourdes Mollo. Foto: UNB\/Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">Professora de economia da UnB\u00a0Maria Lourdes Mollo avalia que a d\u00edvida p\u00fablica do pa\u00eds vem aumentando h\u00e1 muito tempo por causa dos juros. Foto:\u00a0<strong>UNB\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>A professora de economia Maria Lourdes Mollo, da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), avalia que a d\u00edvida p\u00fablica do pa\u00eds vem aumentando h\u00e1 muito tempo por causa dos juros.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO governo gasta demais pagando juros. O governo precisa gastar protegendo a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel e garantindo que a capacidade produtiva da economia cres\u00e7a, ao inv\u00e9s de beneficiar apenas o setor financeiro\u201d, afirmou.<\/p><\/blockquote>\n<p>A professora Maria Lourdes, que \u00e9 doutora em economia pela Universidade de Paris, reconhece que os juros altos reduzem a infla\u00e7\u00e3o, mas alerta para os \u201calt\u00edssimos\u201d custos sociais.<\/p>\n<p>\u201cQuem est\u00e1 pagando esses juros altos s\u00e3o as pessoas que precisam do dinheiro para comer, morar, cuidar da sua sa\u00fade. E essas necessidades n\u00e3o podem diminuir. Por outro lado, quem est\u00e1 ganhando com esses juros altos s\u00e3o os que ganham no mercado financeiro. E isso \u00e9 que est\u00e1 errado\u201d, completou.<\/p>\n<p>Para Lourdes, a infla\u00e7\u00e3o deve ser combatida tamb\u00e9m pelo lado da oferta, estimulando a produ\u00e7\u00e3o como forma de baixar os pre\u00e7os. Por\u00e9m, ela alerta que os juros altos impedem o crescimento da oferta.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um impacto negativo da taxa de juros altos sobre a capacidade produtiva da economia.\u00a0 Isso \u00e9 muito ruim porque inibe, a m\u00e9dio e a longo prazo, o crescimento da oferta e tira, inclusive, possibilidades de resolver o problema da infla\u00e7\u00e3o de uma forma mais definitiva\u201d, completou a professora da UnB.<\/p>\n<h2>Gastos p\u00fablicos<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Maria Mello de Malta\/Arquivo Pesssoal\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/tbE3gd4PanfhgriQKaIik-wygO4=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/05\/10\/prof_maria_malta.jpg?itok=HNUN51jE\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 10\/05\/2024 - Professora de economia pol\u00edtica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria Mello de Malta Foto: Maria Mello de Malta\/Arquivo Pessoal\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">Professora de economia pol\u00edtica da UFRJ\u00a0Maria Mello de Malta diz qeu se o governo quiser reduzir a d\u00edvida p\u00fablica, tem que cortar juros Foto:\u00a0<strong>Maria Mello de Malta\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>Sobre a parte dos economistas que sustenta que o caminho para cortar juros \u00e9 cortar os gastos p\u00fablicos, Maria Mello de Malta responde que o Estado n\u00e3o controla as necessidades de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e aposentadoria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem como o governo, atendendo ao Banco Central, reduzir gastos do dia para a noite. O Estado n\u00e3o controla a sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Isso tem a ver com o crescimento populacional, com a idade dos trabalhadores, das pessoas que v\u00e3o nascendo, etc.\u201d, explicou a professora da UFRJ.<\/p>\n<p>Para a professora Juliane Furno, da UFF, o Estado n\u00e3o \u201cgasta demais\u201d como costumam justificar alguns economistas porque a Constitui\u00e7\u00e3o do Brasil prev\u00ea a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos que demandam um volume maior de recursos que outros pa\u00edses.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 claro que o Estado brasileiro gasta mais do que o chileno, por exemplo, mas isso \u00e9 resultado de escolhas distintas. O Estado brasileiro escolheu prover sa\u00fade de forma universal, ter educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, garantir assist\u00eancia social\u201d, lembrou a especialista.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A tese que apresenta o corte de gastos\u00a0e as privatiza\u00e7\u00f5es\u00a0como solu\u00e7\u00e3o para reduzir o endividamento p\u00fablico, o que abriria caminho para o corte de juros, \u00e9 questionada pela professora Maria Mello de Malta.<\/strong><\/p>\n<p>Para ela, trata-se de uma \u201cvis\u00e3o ideol\u00f3gica\u201d que tem o objetivo de abrir, ao m\u00e1ximo, o espa\u00e7o econ\u00f4mico para atua\u00e7\u00e3o do setor privado em busca do lucro.<\/p>\n<p>\u201cNa hora que voc\u00ea privatiza, voc\u00ea n\u00e3o privatiza s\u00f3 o custo. Voc\u00ea privatiza o lucro tamb\u00e9m. Privatizou-se a Eletrobras e n\u00e3o tem mais lucro da Eletrobras para ser distribu\u00eddo para o Estado e melhorar a situa\u00e7\u00e3o da d\u00edvida\u201d, finalizou.<\/p>\n<div class=\"noticias-relacionadas rel-position rowflex\">\n<div class=\"title abs-position\">Relacionadas<\/div>\n<div class=\"capa-noticia-relacionada\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/5G8kcQ9TbxRtblJaCO1Qd7T_9lU=\/390x240\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/banco_central_mcajr_abr_0104222273_0.jpg?itok=_y2XWTS7\" alt=\"Edif\u00edcio-Sede do Banco Central em Bras\u00edlia\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"titulo-noticia-relacionada\">Juros elevados mant\u00eam press\u00e3o sobre endividamento das fam\u00edlias<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"footer-noticia\">\n<div class=\"editor rowflex\">\n<p>Edi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<div class=\"nome-editor\">Sabrina Craide<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos 12 meses at\u00e9 mar\u00e7o, o Brasil gastou R$ 1,08 trilh\u00e3o com juros,\u00a0o que representa 8,35% do Produto Interno Bruto (PIB). 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