{"id":56278,"date":"2026-08-15T11:14:43","date_gmt":"2026-08-15T14:14:43","guid":{"rendered":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/?p=56278"},"modified":"2026-08-15T11:17:43","modified_gmt":"2026-08-15T14:17:43","slug":"risco-de-desertificacao-no-brasil-ameaca-seguranca-hidrica-e-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/2026\/08\/15\/risco-de-desertificacao-no-brasil-ameaca-seguranca-hidrica-e-alimentar\/","title":{"rendered":"Risco de desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a seguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar"},"content":{"rendered":"<header id=\"header-site\" class=\"header-site full-width rel-position\">\n<div class=\"header-veiculo full-width\"><a class=\"logo-veiculo\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/themes\/agenciabrasil_v3\/images\/agbrasil-color-logo.svg?thzdkc\" alt=\"logo Ag\u00eancia Brasil\" width=\"268\" height=\"37\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 268px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 268\/37;\" \/><\/a><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"tabs\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/tBCPOOi_nc4KKOOLNsH8TIzc2OA=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/13\/semiarido_nordestino.jpg?itok=YXklrkgV\" alt=\"Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a \u00e1gua, alimento, clima e biodiversidade\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"region region-content\">\n<div id=\"block-system-main\" class=\"block block-system\">\n<div class=\"content\">\n<div id=\"panel\" class=\"container-noticia rel-position\">\n<div id=\"node-1699612\" class=\"node node-conteudo clearfix\">\n<div class=\"header-noticia full-width\">\n<p><strong><a class=\"editoria\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/meio-ambiente\">Meio Ambiente<\/a><\/strong><\/p>\n<div class=\"linha-fina-noticia\"><strong>Pa\u00eds participar\u00e1 de confer\u00eancia global na Mong\u00f3lia sobre o tema<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"subheader\">\n<div class=\"container-autoria\">\n<div class=\"autor-noticia\">TNM\/Por Rafael Cardoso &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/div>\n<div class=\"container-data rowflex\">\n<div class=\"data\">Publicado em 15\/08\/2026 &#8211; 09:25<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"local\">Rio de Janeiro<\/div>\n<\/div>\n<nav class=\"compartilhamento rowflex\"><\/nav>\n<\/div>\n<div class=\"capa-materia rel-position\">\n<figure><img decoding=\"async\" id=\"media-471743\" title=\"ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/rxqnmnlAM1QrOncdBc2b_7zo1Fo=\/1170x700\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/13\/51193218629_537e724ba4_k.jpg?itok=TtP2HuG8\" alt=\"Da Amaz\u00f4nia \u00e0 Europa, seca avan\u00e7a e movimenta debates na COP17. Solo seco, altas temperaturas e a\u00e7\u00f5es humanas favorecem queimadas no Semi\u00e1rido. Cr\u00e9dito: ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><figcaption class=\"credito-foto abs-position fullwidth\">\u00a9 ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"conteudo-noticia\">\n<p>Cerca de 39 milh\u00f5es de brasileiros vivem em locais amea\u00e7ados pela desertifica\u00e7\u00e3o. Entre eles, est\u00e3o sertanejos, agricultores, povos ind\u00edgenas, quilombolas, geraizeiros, pantaneiros e pampeiros.<img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1699612&amp;o=node\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1699612&amp;o=node\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/p>\n<p>O termo pode causar estranhamento, j\u00e1 que o pa\u00eds n\u00e3o possui desertos como o Atacama, no Chile, e o Saara, no norte da \u00c1frica. Lugares onde o clima seco e a escassez de \u00e1gua s\u00e3o extremos.<\/p>\n<p><strong>Desertifica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 um termo mais amplo, que indica o processo de degrada\u00e7\u00e3o ambiental em que uma terra antes produtiva perde sua capacidade de reter \u00e1gua e sustentar vida<\/strong>. Isso ocorre principalmente por atividades humanas, como desmatamento e agricultura inadequada,\u00a0e tamb\u00e9m por varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Quanto mais avan\u00e7ado o processo, maior o risco de uma regi\u00e3o virar um deserto.<\/p>\n<p><strong>Cerca de 18% do territ\u00f3rio brasileiro \u00e9 composto por \u00c1reas Suscet\u00edveis \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (ASD)<\/strong>, segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/insa\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/publicacoes-do-insa\/desertificacao\/boletim-tematico-desertificacao\/@@display-file\/file\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o boletim mais recente da Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene)<\/a>.<\/p>\n<p>Obst\u00e1culos e solu\u00e7\u00f5es para o problema est\u00e3o na pauta de representantes da sociedade civil e de \u00f3rg\u00e3os governamentais do Brasil que participar\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/meio-ambiente\/noticia\/2026-08\/cop17-discute-desertificacao-na-mongolia-pais-assolado-pelo-problema\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">17\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (COP17), na Mong\u00f3lia, entre os dias 17 e 28 de agosto<\/a>.<\/p>\n<p>A coordenadora executiva da Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro (ASA), Ivi Aliana, destaca que\u00a0<strong>o problema atinge principalmente popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis e comunidades tradicionais<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cElas s\u00e3o as primeiras a sentir os efeitos, porque lidam diretamente com os impactos na \u00e1gua e na biodiversidade no territ\u00f3rio\u201d, diz Ivi.<\/p>\n<p>Ela refor\u00e7a, por\u00e9m, que\u00a0<strong>a degrada\u00e7\u00e3o da terra n\u00e3o \u00e9 um problema exclusivo de quem vive nela<\/strong>.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cParece um problema distante para alguns, mas a desertifica\u00e7\u00e3o afeta a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, a seguran\u00e7a h\u00eddrica, a economia, influencia no aumento do calor. E tudo isso\u00a0vai al\u00e9m das \u00e1reas degradadas. Tem impactos\u00a0 tanto no campo quanto nas cidades brasileiras\u201d, explica.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ltPsUgOH2dj5hHfolIKkdxsjEHY=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/31\/_d6a0216_0.jpg?itok=h36Mu17t\" alt=\"Balsas (MA), 10\/10\/2025 \u2013 O agricultor familiar Orlando Alves da Silva observa uma das nascentes do Rio das Balsas seca, em Limpeza, nos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">O agricultor familiar Orlando Alves da Silva observa uma das nascentes do Rio das Balsas seca, em Limpeza, nos Gerais de Balsas, no Maranh\u00e3o. Foto:\u00a0<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<h2>Dados nacionais<\/h2>\n<p>Entre os anos de 2000 e 2020, a \u00e1rea afetada pela desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil passou de 1,35 milh\u00e3o para 1,51 milh\u00e3o\u00a0de quil\u00f4metros quadrados, um aumento de 170 mil km\u00b2, que equivale\u00a0\u00e0 soma dos territ\u00f3rios de Pernambuco, Para\u00edba e Alagoas.<\/p>\n<p><strong>O fen\u00f4meno atinge principalmente os nove estados do Nordeste, mas chega tamb\u00e9m ao norte de Minas Gerais e ao do Esp\u00edrito Santo, ao nordeste do Rio de Janeiro e ao noroeste do Mato Grosso do Sul<\/strong>.<\/p>\n<p>Nestas \u00e1reas, h\u00e1 tr\u00eas tipos de clima: sub\u00famido seco, semi\u00e1rido e \u00e1rido. Eles s\u00e3o classificados de acordo com a quantidade de chuva e a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, por meio do \u00edndice de aridez.<\/p>\n<p>O sub\u00famido seco tem \u00edndice de aridez entre 0,50 at\u00e9 0,65;\u00a0o semi\u00e1rido, entre 0,2 e 0,5; e o\u00a0\u00e1rido, entre 0,05 e 0,2. Quando o n\u00famero fica abaixo de 0,05 tem-se o clima dos desertos, o hiper\u00e1rido, que ainda n\u00e3o existe no Brasil.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cemaden\/pt-br\/assuntos\/noticias-cemaden\/estudo-do-cemaden-e-do-inpe-identifica-pela-primeira-vez-a-ocorrencia-de-uma-regiao-arida-no-pais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A primeira regi\u00e3o \u00e1rida do pa\u00eds foi identificada recentemente, em 2023, e abrange 6 mil km\u00b2 entre Pernambuco e Bahia<\/a>. A an\u00e1lise foi publicada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Rodrigo Cunha \/ Revista Fapesp\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/02WdAFDpJTPZoX1_gFfZlBUGGvE=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/13\/mapa-aridez_feito_por_rodrigo_cunha_para_revista_pesquisa_fapesp.png?itok=KAE64p1H\" alt=\"Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a \u00e1gua, alimento, clima e biodiversidade. Mapa comparativo da evolu\u00e7\u00e3o da desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil. Cr\u00e9dito: Rodrigo Cunha \/ Revista Fapesp\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">Mapa comparativo da evolu\u00e7\u00e3o da desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil. Cr\u00e9dito:\u00a0<strong>Rodrigo Cunha \/ Revista Fapesp<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<h2>Caatinga<\/h2>\n<p>Dos seis biomas brasileiros, a Caatinga \u00e9 a que concentra os n\u00edveis mais graves de deteriora\u00e7\u00e3o do solo:\u00a0<strong>11% dela est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e severa<\/strong>, o que equivale a 100 mil km2. Cerca de 42,6% de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa j\u00e1 foi suprimida.<\/p>\n<p>Proteger a Caatinga \u00e9 fundamental para a biodiversidade, as pessoas que vivem nela e o clima, explica o pesquisador do Instituto Nacional do Semi\u00e1rido (Insa)\u00a0Aldrin Martin P\u00e9rez-Mar\u00edn, que tamb\u00e9m coordena o Observat\u00f3rio da Caatinga e da Desertifica\u00e7\u00e3o (OCA).<\/p>\n<p>O bioma \u00e9 monitorado continuamente pelo \u00f3rg\u00e3o, em parceria com mais de 30 universidades e institui\u00e7\u00f5es nordestinas. Um levantamento conjunto mostrou que a Caatinga aproveita o carbono com uma efici\u00eancia de 58%, maior que a de\u00a0todos os outros biomas brasileiros. Essa contribui\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0fundamental na luta contra o aquecimento global, j\u00e1 que o excesso de carbono na atmosfera ret\u00e9m calor e intensifica o efeito estufa.<\/p>\n<p>\u201cO mais surpreendente est\u00e1 debaixo da terra: 72% de todo esse carbono fica armazenado no solo, cerca de 125 toneladas por hectare, o que faz dela n\u00e3o s\u00f3 um sumidouro ativo, mas um enorme cofre natural de longo prazo. \u00c9 essa resili\u00eancia que explica o seu protagonismo: ela sabe guardar vida e equilibrar o clima mesmo nos cen\u00e1rios mais \u00e1ridos\u201d, diz Aldrin.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/sT5Wu9tU0am1K0NOX_A9grTc4ew=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/13\/vegetacao_da_caatinga.jpg?itok=nJuvopqt\" alt=\"Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a \u00e1gua, alimento, clima e biodiversidade. . Cactos t\u00edpicos da Caatinga, bioma no Semi\u00e1rido Nordestino. Cr\u00e9dito: ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">Cactos t\u00edpicos da Caatinga, bioma no Semi\u00e1rido Nordestino. Cr\u00e9dito:\u00a0<strong>ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0168192325001935\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um estudo publicado na revista<\/a><em><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0168192325001935\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0Science of the Total Environment<\/a>,<\/em>\u00a0em 2025, confirmou esse protagonismo.\u00a0<strong>S\u00f3 em 2022, a Caatinga foi respons\u00e1vel por cerca de 50% de todo o sequestro l\u00edquido de carbono do Brasil, compensando parte significativa das emiss\u00f5es nacionais de gases de efeito estufa<\/strong>.<\/p>\n<p>O pesquisador do Insa alerta que o Brasil precisa brigar para que a Caatinga seja citada explicitamente no texto cient\u00edfico que ser\u00e1 negociado durante a COP17. Caso isso n\u00e3o ocorra, o semi\u00e1rido tropical ficaria fora do radar\u00a0cient\u00edfico oficial da Conven\u00e7\u00e3o at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>\u201cA Caatinga n\u00e3o \u00e9 o problema. Ela \u00e9 parte da solu\u00e7\u00e3o, para o Brasil e para o planeta. Diante da crise clim\u00e1tica, a escolha \u00e9 por territ\u00f3rios vivos: gente de p\u00e9, Caatinga em p\u00e9 e futuro em p\u00e9\u201d, diz Aldrin.<\/p>\n<h2>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/h2>\n<p>O Brasil se tornou signat\u00e1rio da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (UNCCD) em 1997, o que significou assumir acordos para prevenir e reverter os efeitos da degrada\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n<p><strong>Em mar\u00e7o de 2026, foi lan\u00e7ado oficialmente o Plano de A\u00e7\u00e3o Brasileiro de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o e Mitiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2025\u20132043)<\/strong>. O plano prev\u00ea o enfrentamento da desertifica\u00e7\u00e3o como pol\u00edtica p\u00fablica que articula meio ambiente, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia social, infraestrutura, acesso \u00e0 \u00e1gua, inclus\u00e3o produtiva e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Outra iniciativa, lan\u00e7ada em junho deste ano, foi o Programa Recaatingar.<\/strong>\u00a0O bi\u00f3logo Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o e Mitiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Seca (DCDE), vinculado ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima, explica que a meta \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o produtiva de 10 milh\u00f5es de hectares de terras degradadas do bioma nos pr\u00f3ximos 20 anos.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/tBCPOOi_nc4KKOOLNsH8TIzc2OA=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/13\/semiarido_nordestino.jpg?itok=YXklrkgV\" alt=\"Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a \u00e1gua, alimento, clima e biodiversidade\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a \u00e1gua, alimento, clima e biodiversidade &#8211;\u00a0<strong>ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>O foco \u00e9 promover seguran\u00e7a h\u00eddrica, restaura\u00e7\u00e3o socioprodutiva e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com base no conhecimento tradicional das comunidades locais.<\/p>\n<p>\u201cO recaatingamento \u00e9 uma metodologia que envolve desde a quest\u00e3o f\u00edsica do solo e da agronomia at\u00e9 o trabalho com as comunidades tradicionais, o modo de vida e a forma como elas manejam essa biodiversidade. A gente se inspirou nessas tecnologias sociais de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido para criar o programa\u201d, explica Alexandre.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cRecuperar o solo degradado \u00e9 um caminho estrat\u00e9gico para garantir trabalho, emprego e renda, ao mesmo tempo em que promove um servi\u00e7o que ajuda a humanidade a enfrentar os desastres clim\u00e1ticos. \u00c9 preciso olhar para a pot\u00eancia e a capacidade de resili\u00eancia desses territ\u00f3rios\u201d, complementa.<\/p><\/blockquote>\n<p>O pesquisador do Insa, Aldrin Martin P\u00e9rez-Mar\u00edn, atesta a efetividade do recaatingamento. Ele diz que, mesmo antes do programa, a tecnologia social j\u00e1 produziu 36 mil hectares em conserva\u00e7\u00e3o, 2 mil hectares em recupera\u00e7\u00e3o ativa, 15 sistemas de agrocaatinga, 31 planos de manejo implementados e mais de 280 enxames de abelhas nativas de volta \u00e0 paisagem.<\/p>\n<p>\u201cO manejo agrossilvipastoril da Caatinga consegue quadruplicar a oferta de forragem sem derrubar o bioma. Os sistemas agroflorestais elevaram a biomassa em torno de 85% e chegam a segurar 100 toneladas de solo por hectare a cada ano contra a eros\u00e3o\u201d, diz Aldrin. \u201cA rota\u00e7\u00e3o de culturas e as barragens subterr\u00e2neas devolvem \u00e1gua, carbono e fertilidade a esse cofre subterr\u00e2neo\u201d.<\/p>\n<h2>Perspectivas e solu\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>A Articula\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido Brasileiro (ASA), formada por mais de 3 mil organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, atua h\u00e1 mais de 25 anos na promo\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es e tecnologias que ajudam as comunidades impactadas pela desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos principais exemplos de atua\u00e7\u00e3o da ASA \u00e9 no desenvolvimento de\u00a0programas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva. Parte deles foca na constru\u00e7\u00e3o de cisternas e pequenas barragens para garantir que fam\u00edlias tenham acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, al\u00e9m de garantir \u00e1gua para produ\u00e7\u00e3o de alimentos e consumo dos animais.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/RFBSzYu4Yv4L6tvHVETrvWPemBo=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/13\/51192327386_a4d7cd610b_h.jpg?itok=qIvE6VC-\" alt=\"Desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil amea\u00e7a \u00e1gua, alimento, clima e biodiversidade. Cisterna constru\u00edda com ajuda da ASA para garantir que fam\u00edlias tenham acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel. Cr\u00e9dito: ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">Cisterna constru\u00edda com ajuda da ASA para garantir que fam\u00edlias tenham acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel. Cr\u00e9dito:\u00a0<strong>ASA \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>Outras iniciativas s\u00e3o focadas no fortalecimento de sementes adaptadas ao clima da Caatinga e t\u00e9cnicas agr\u00edcolas que respeitam a biodiversidade do bioma.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o vai ser helic\u00f3ptero jogando sementes em um territ\u00f3rio desabitado que vai recuperar essa \u00e1rea. O combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o passa pela agricultura familiar, pela agroecologia e pelas pessoas vivendo e cuidando desses territ\u00f3rios\u201d, diz Ivi Aliana, coordenadora do ASA.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Cobertura da COP17<\/h2>\n<p>A\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil\u00a0<\/strong>vai acompanhar as duas semanas da COP17 da Desertifica\u00e7\u00e3o diretamente da Mong\u00f3lia. A viagem \u00e9 uma\u00a0parceria com a UNCCD, que selecionou\u00a0seis rep\u00f3rteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir o evento.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos dias, a\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0publica uma s\u00e9rie de mat\u00e9rias com\u00a0informa\u00e7\u00f5es sobre a confer\u00eancia e como os temas debatidos nela afetam o Brasil.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Divulga\u00e7\u00e3o UNCCD\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/n6AsIAkf1CVRrIVmlppdYVqkFVc=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/13\/paisagem_na_mongolia_pais_que_sediara_a_cop17_da_desertificacao.jpg?itok=e-uKCaEl\" alt=\"Paisagem campestre na Mong\u00f3lia, sede da COP17 da Desertifica\u00e7\u00e3o. Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o UNCCD\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">Paisagem campestre na Mong\u00f3lia, sede da COP17 da Desertifica\u00e7\u00e3o. Cr\u00e9dito:\u00a0<strong>Divulga\u00e7\u00e3o UNCCD<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-relacionadas rel-position rowflex\">\n<div class=\"title abs-position\"><strong>Relacionadas<\/strong><\/div>\n<div class=\"capa-noticia-relacionada\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/NlWA7AD8lUKLL7lSVSCUJh6NWA4=\/390x240\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/04\/14\/pzzb1721.jpg?itok=e4YPgBFC\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 14\/04\/2026 - O ministro do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a de Clima, Jo\u00e3o Paulo Capobianco, participa do programa Bom Dia, MInistro. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom\/ Ag\u00eancia Brasil\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"titulo-noticia-relacionada\">Destrui\u00e7\u00e3o da Caatinga pode desertificar o pa\u00eds, alerta ministro<\/div>\n<div class=\"capa-noticia-relacionada\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/PAaUz-Ai4MFWyEc0nVfvFyKlXEQ=\/390x240\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/caatinga20220429_0039.jpeg?itok=vanXjN5u\" alt=\"Caatinga\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"titulo-noticia-relacionada\">Amea\u00e7ada de desertifica\u00e7\u00e3o, Caatinga ter\u00e1 \u00e1rea recuperada<\/div>\n<div class=\"capa-noticia-relacionada\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/_bZPUmdy87rF0orn2HAi26b-lU4=\/390x240\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/13\/menino_e_alce_na_mongolia_pais_que_sediara_a_cop17_da_desertificacao.jpg?itok=3vESkwmZ\" alt=\"Menino monta um alce na regi\u00e3o Noroeste da Mong\u00f3lia. Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o UNCCD\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" class=\"lazyload\" \/><\/div>\n<div class=\"titulo-noticia-relacionada\">COP17 da Desertifica\u00e7\u00e3o chega \u00e0 Mong\u00f3lia, pa\u00eds assolado pelo problema<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"footer-noticia\">\n<div class=\"editor rowflex\">\n<p>Edi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<div class=\"nome-editor\">Vinicius Lisboa<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desertifica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 um termo mais amplo, que indica o processo de degrada\u00e7\u00e3o ambiental em que uma terra antes produtiva perde sua capacidade de reter \u00e1gua e sustentar vida<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":56279,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,36,20,21,12,25,15,34,27,28],"tags":[],"class_list":["post-56278","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-brasil-2","category-cultura","category-destaque","category-economia","category-interior","category-religiao","category-religiao-2","category-saude","category-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56278"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56278\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56282,"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56278\/revisions\/56282"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tudonominuto.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}