JHC diz que não se vende ao PL e se aproxima de Lula

Com a saída do PL, o prefeito teve a filiação confirmada por Teotônio Vilela Filho, presidente estadual do PSDB em Alagoas. O movimento gerou uma reação em cadeia na Câmara Municipal, com JHC incentivando a migração imediata de 11 vereadores para a nova sigla.
Prefeito de Maceió deixa a legenda de Jair Bolsonaro, articula apoio ao Governo Federal e racha com o grupo liderado por Arthur Lira em Alagoas.

MACEIÓ, AL, 22/03/2026 — O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), oficializou o rompimento definitivo com o PL e confirmou sua filiação ao PSDB.

A manobra política, selada neste fim de semana, abre caminho para uma aproximação estratégica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alterando o tabuleiro da política em Alagoas.

A frase que marcou a transição foi direta: “Não tenho etiqueta de vende-se”.

JHC reagiu publicamente após ser destituído da presidência estadual do PL, decisão que inviabilizou seu projeto de disputar o Senado pela legenda bolsonarista, que já havia fechado apoio ao deputado Alfredo Gaspar de Mendonça.

O racha com o PL e Arthur Lira

A crise interna no antigo partido foi o estopim para a mudança. JHC viu o desenho imposto por Valdemar da Costa Neto e o grupo de Arthur Lira como um cerceamento de suas ambições para 2026.

O conflito com Lira se agravou quando o deputado barrou a candidatura do prefeito ao Senado, pressionando-o a disputar o governo estadual — o que foi recusado por JHC.

Com a saída do PL, o prefeito teve a filiação confirmada por Teotônio Vilela Filho, presidente estadual do PSDB em Alagoas. O movimento gerou uma reação em cadeia na Câmara Municipal, com JHC incentivando a migração imediata de 11 vereadores para a nova sigla.

Articulação com o Planalto e o fator STJ

Nos bastidores de Maceió, o gesto é lido como um pragmatismo político que envolve o Poder Judiciário. A indicação de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), teria sido um dos pilares do acórdão que inclui o apoio de JHC à reeleição petista no plano federal.

Os sinais de alinhamento com o Governo Federal ficaram evidentes na última visita de Lula à capital alagoana. Durante a entrega de apartamentos da Vila da Lagoa, JHC fez elogios públicos à gestão federal.

Ao perder espaço no campo bolsonarista, o prefeito testa agora sua viabilidade em uma coalizão mais ampla para garantir uma vaga no Senado — seja para si ou para um familiar.

Reação dos eleitores e desgaste digital

Se a articulação avançou nos gabinetes, o impacto nas redes sociais foi imediato e negativo entre o eleitorado conservador. A guinada política provocou forte rejeição de seguidores identificados com o bolsonarismo, que passaram a criticar JHC abertamente.

Comentários como “Perdeu a eleição”, “Já entregou pros Calheiros” e acusações de traição ao grupo de Arthur Lira dominam as interações recentes nas páginas oficiais do prefeito.

O desafio de JHC agora será equilibrar a nova aliança institucional com a manutenção de sua base popular na capital para o ciclo de 2026.

Correções: Encontrou um erro? Fale com a redação: [email protected].

 

Veja também: