
Política
A eventual nomeação também atende a uma lógica de continuidade
Mais do que isso.
A relação entre os dois não começou em Brasília. Santoro foi secretário da Fazenda de Alagoas durante toda a gestão de Renan Filho como governador, período em que ganhou protagonismo técnico ao liderar o ajuste fiscal do estado. A parceria, construída na gestão estadual, foi levada para o governo federal — agora, ao que tudo indica, com continuidade no comando do ministério.
Isso diz muito.
No Ministério dos Transportes, Santoro é apontado como um dos responsáveis pela formatação da atual carteira de concessões, considerada uma das maiores da história recente. Ao lado de Renan Filho, ajudou a estruturar modelos de leilões, destravar obras paradas e montar um portfólio que pode chegar a dezenas de concessões e centenas de bilhões em investimentos.
Nos bastidores, é tratado como o “operador técnico” da política de infraestrutura. O pacote vem fechado.
A eventual nomeação também atende a uma lógica de continuidade. A saída de Renan Filho ocorre em meio a um ciclo de forte expansão dos investimentos no setor, e a manutenção de Santoro no comando é vista como forma de preservar o ritmo das obras e dos leilões já contratados.
Além disso, o perfil técnico pesa. Com experiência em finanças públicas e gestão, Santoro acumulou passagens relevantes na administração estadual e federal, incluindo a presidência do Comsefaz e atuação em órgãos de controle e planejamento.
Há também o componente político.
Em conversa recente, Santoro fez questão de destacar o papel de Renan Filho na condução do estado e projetou o futuro do aliado: “O ministro Renan está ainda melhor, mais preparado, mais experiente. Tenho certeza que ele fará o melhor governo do estado na sua história, mas também será um dos melhores, provavelmente o melhor governador do Brasil”.
Ela reforça o alinhamento entre os dois e antecipa o cenário político que se desenha em Alagoas, com Renan Filho retornando ao estado após passagem pelo ministério e deixando, em Brasília, um nome de sua confiança.
Se confirmado, o movimento fecha um ciclo — e abre outro.
De um lado, Renan Filho sai com uma marca de forte volume de investimentos e expansão da infraestrutura. De outro, Santoro assume com a missão de manter o ritmo e dar continuidade a uma agenda considerada estratégica para o crescimento econômico do país.
No fim das contas, mais do que uma troca de nomes, trata-se de continuidade de projeto.


