
Política
Imóvel em área nobre de Maceió foi penhorado para garantir pagamento de dívida trabalhista; defesa afirma que débito já foi quitado
Embora o registro em cartório indique valor de R$ 7,6 milhões, uma avaliação realizada em 2024, em outro processo trabalhista, estimou o bem em R$ 9 milhões. A cobertura duplex possui 599 metros quadrados de área privativa, cinco vagas de garagem e vista para o mar. O imóvel foi adquirido em 2006 e não constou na declaração de bens apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022, quando Collor disputou o governo de Alagoas.
Defesa alega quitação do débito
Os advogados de Collor e da TV Gazeta informaram nos autos que a ex-funcionária aderiu a um acordo no âmbito da recuperação judicial da Organização Arnon de Mello (OAM), grupo de comunicação ao qual a emissora está vinculada. Segundo a defesa, o ajuste foi firmado em 1º de novembro de 2023, no valor de R$ 48 mil, contemplando o crédito da trabalhadora, o que representaria a quitação integral da dívida. Também foi informado que eventuais contribuições previdenciárias pendentes serão pagas até 30 de março. Com isso, foi solicitado o arquivamento do processo.
Jornalista contesta validade do acordo
A defesa da jornalista, por sua vez, argumenta que o acordo firmado na recuperação judicial não foi homologado especificamente para esse crédito e que haveria apenas autorização genérica para negociações com credores. Sustenta ainda que o compromisso envolveria exclusivamente a TV Gazeta, não impedindo a cobrança direta dos sócios.
No processo trabalhista, foi autorizada a desconsideração da personalidade jurídica, permitindo que bens pessoais dos sócios sejam atingidos em caso de inadimplência da empresa. O advogado da profissional afirma que a execução contra Collor já foi autorizada e que, com juros, correção monetária e multa contratual, o débito teria alcançado cerca de R$ 220 mil, segundo cálculos da Justiça do Trabalho.
Recuperação judicial e bloqueios
A Organização Arnon de Mello está em recuperação judicial desde 2019 e reúne emissoras de televisão, rádios, portal de notícias e gráfica em Alagoas. Após descumprimentos de acordos trabalhistas, credores passaram a obter decisões que atingem o patrimônio pessoal de sócios e familiares.
Entre as medidas já adotadas estão bloqueios de contas bancárias, veículos de luxo, uma chácara em Campos do Jordão (SP) e participações societárias. Familiares do ex-presidente também foram alcançados por decisões judiciais.
Em outubro de 2025, o cenário empresarial do grupo se agravou após decisão do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que autorizou a TV Globo a operar com uma nova afiliada em Alagoas, encerrando uma parceria histórica com a TV Gazeta. Houve recurso dirigido ao ministro Edson Fachin, mas ainda não há decisão final.
Com a reavaliação do imóvel em curso, a Justiça deverá definir o valor atualizado da cobertura e os próximos passos para eventual leilão, destinado à quitação da dívida trabalhista.





