Cidades


E-book gratuito conclui a primeira etapa do projeto Gente de Guerreiro e apresenta uma pesquisa inédita sobre oito grupos ligados à trajetória do folguedo em Maceió
Grande parte dessa história, entretanto, permaneceu guardada na memória de mestres, brincantes e familiares. O desaparecimento de importantes lideranças, o encerramento de grupos tradicionais e a redução dos espaços de convivência colocaram em risco parte desse patrimônio cultural. O projeto nasce desse cenário e busca ampliar o acesso às informações sobre o Guerreiro por meio da organização de um acervo composto por diferentes fontes documentais e orais. Concebida como um instrumento de memória, pesquisa e consulta, o resultado deste trabalho é destinado a mestres, mestras, brincantes, pesquisadores, estudantes, educadores, gestores culturais e demais interessados na cultura popular alagoana.
A escolha da Chã de Bebedouro e da Chã da Jaqueira como recorte da primeira etapa não ocorreu por acaso. Durante boa parte do século XX, os dois bairros concentraram alguns dos principais grupos de Guerreiro da capital e desempenharam papel decisivo na formação de mestres e brincantes que, posteriormente, levaram a manifestação para outras regiões de Maceió e para municípios do interior do estado.
“A pesquisa identificou que Chã de Bebedouro e Chã da Jaqueira funcionaram como verdadeiros centros irradiadores do Guerreiro alagoano. Muitos mestres iniciaram sua trajetória nesses bairros e, posteriormente, levaram seus conhecimentos para outras regiões de Maceió e para diferentes municípios do estado”, explica a jornalista e pesquisadora Iranei Barreto, idealizadora do projeto. “Os percursos reconstruídos mostram que a expansão do Guerreiro não ocorreu por meio de instituições formais, mas pela atuação direta dos próprios mestres. Quando mudavam de bairro ou de cidade, levavam consigo repertórios, personagens, instrumentos, figurinos e conhecimentos acumulados durante anos de convivência com o folguedo. Em cada novo território, reorganizavam grupos, reuniam moradores e iniciavam outro ciclo de formação”, completa.
Essa dinâmica ajuda a compreender a recorrência de determinadas famílias na história do Guerreiro. A transmissão dos conhecimentos esteve fortemente associada aos vínculos familiares e comunitários. Pais, filhos, irmãos, netos e outros parentes participavam dos grupos, compartilhando repertórios, personagens e modos de fazer construídos pela convivência cotidiana. Essas redes de transmissão desempenharam papel decisivo na continuidade do Guerreiro em diferentes regiões.
O lançamento do e-book conclui a primeira etapa do projeto Gente de Guerreiro. A próxima etapa será dedicada ao mapeamento dos grupos de Guerreiro ativos em Alagoas, ampliando o trabalho desenvolvido na Chã de Bebedouro e na Chã da Jaqueira. A segunda edição do projeto foi aprovada no Ciclo 2 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e operacionalizada pelo Governo de Alagoas, via Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult). O projeto é uma realização do Aqui Acolá Arte, com idealização, gestão e texto da jornalista e pesquisadora Iranei Barreto. A pesquisa contou com a participação de Nicollas Serafim e Josefina Novaes. O livro está disponível gratuitamente em www.aquiacola.net. As próximas etapas do projeto e o mapeamento dos grupos de Guerreiro podem ser acompanhados tanto pelo site como pelo Instagram @gentedeguerreiro.
Serviço
E-book: Gente de Guerreiro – Cartografia Cultural e Memórias dos Grupos Tradicionais de Chã de Bebedouro e Chã da Jaqueira
Formato: publicação digital gratuita
Download: https://aquiacola.net/gente-de-guerreiro/
Instagram: @gentedeguerreiro
Realização: Portal Aqui Acolá Arte



