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Após descoberta inédita confirmada pela ANP, no Ceará, produtor rural aguarda estudo que pode indicar novo poço artesiano e garantir compensação financeira caso haja exploração comercial da área
Segundo o órgão, o levantamento vai analisar as características do solo para aumentar as chances de sucesso na captação de água subterrânea, principal objetivo do agricultor desde o início.
Como tudo começou
A história começou em 2024, quando Sidrônio decidiu perfurar um poço artesiano para enfrentar a escassez de água que afeta a propriedade rural. Em vez de água, porém, um líquido escuro e com forte odor de combustível começou a jorrar do solo. Em maio deste ano, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que o material encontrado era petróleo cru.
Após a confirmação, a área passou a ser alvo de um processo administrativo da ANP, que agora avalia o potencial geológico da região para verificar o tamanho da reserva e a viabilidade de uma eventual exploração comercial. Enquanto a análise não é concluída, o agricultor está impedido de realizar intervenções no terreno onde ocorreu a descoberta.
Apesar da expectativa gerada pelo achado, Sidrônio não será proprietário do petróleo encontrado. Pela Constituição Federal, as riquezas do subsolo pertencem à União. No entanto, caso a área seja futuramente explorada comercialmente, o dono da propriedade tem direito a uma participação financeira, conhecida como participação do proprietário do solo, que pode chegar a até 1% do valor da produção, conforme critérios definidos na legislação.
A possibilidade, porém, ainda depende da conclusão dos estudos técnicos da ANP. A agência informou que não há prazo para finalizar a avaliação e ressaltou que a confirmação da existência de petróleo não significa, necessariamente, que a área será explorada.
Dificuldades
Enquanto aguarda uma definição, o agricultor continua enfrentando dificuldades para manter a propriedade. A água fornecida por uma adutora atende apenas às necessidades da residência, mas é insuficiente para irrigar a plantação e abastecer os animais.
Com a estiagem prolongada, Sidrônio precisou interromper a lavoura e reduzir a criação de animais. Além disso, acumula despesas com contas de água e empréstimos bancários, incluindo o financiamento contratado justamente para perfurar o poço que acabou revelando a existência de petróleo.
Mesmo diante das dificuldades e de propostas para vender a propriedade, o agricultor afirma que pretende permanecer no local.
Agora, a expectativa é que o estudo da Sohidra indique um novo ponto para perfuração, permitindo que ele finalmente encontre a água necessária para retomar a produção rural, enquanto aguarda a decisão da ANP sobre o futuro da área.



