Dino sinaliza que parlamentar pode ser punido por não fiscalizar execução de emendas

Ministro cobra detalhamento sobre responsabilidade jurídica de agentes no "caminho" dos recursos, da indicação à obra
Política

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (29) que parlamentares que indicam emendas podem ser responsabilizados caso as obras ou serviços financiados não sejam executados corretamente pelos gestores públicos.

Ministro cobra detalhamento sobre responsabilidade jurídica de agentes no “caminho” dos recursos, da indicação à obra

A decisão foi tomada em ação da Rede Sustentabilidade, que pede que o STF reconheça o papel do deputado ou senador como “ordenador de despesas”, sujeito a punições por mau uso dos recursos.

Dino determinou que Câmara, Senado e Presidência enviem à corte, em até dez dias, um detalhamento sobre a responsabilidade jurídica de cada agente público no processo das emendas, desde a indicação até a execução da verba. O ministro argumenta que existe “uma assimetria entre quem exerce o poder de decisão sobre a alocação dos recursos e quem permanece sujeito aos deveres de prestação de contas”.

Segundo o ministro, há um “nexo causal” entre a indicação da emenda e a despesa pública, o que dificulta a delimitação de responsabilidades.

“É aparentemente contraditório que o parlamentar possa permanecer imune aos mecanismos de controle”, escreveu. Ele ressaltou que “indicar uma ‘emenda Pix’ não é o mesmo que ‘passar um Pix’ para uma pessoa da família ou um comércio da esquina”.

A medida abre mais uma frente de apuração sobre transparência e rastreabilidade das emendas no gabinete de Dino.

Marcelo Firmino

Pequeno Polegar

Wagner Melo

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