
O jornalismo está no canto da parede e nós da profissão temos, verdadeiramente, culpa nessa história. E por isso mesmo estamos fragilizados, sobretudo no ambiente institucional. Jornalismo exige de todos nós dignidade e compromisso ético.
TNM/Por Blog, Marcelo Firmino
A jovem geração que aí está não tem a ideia e – poucos querem saber – de como foi a luta para consolidar a profissão com o diploma do jornalismo no Brasil. Em Alagoas a luta foi encampada por dois ícones, praticamente esquecidos nesses tempos de frenesi além da modernidade, onde o jornalismo se tornou “farmar aura” para uma grande parcela da categoria. Mas, os ícones fizeram valer a dignidade na profissão. Foram eles: Freitas Neto e Dênis Agra, dois ex-presidentes do Sindicato dos Jornalistas e líderes nacionais da categoria.
Mas, nesses tempos de “farmar aura”, que vem a ser a febre nas redes sociais, o jornalismo se dispersa e o criador dos “memes” mostra a cara para dizer a todos que é o “f..ão”.
Exatamente assim. Conteúdo, ética e dignidade na profissão foram banidos desse terreno da criação, exatamente por criaturas que se aproveitaram do descarte do diploma do jornalista, para se inserirem no contexto e abusarem da forma e do método de aparecer como profissional do meio.
Ninguém é obrigado a concordar com o dito, mas é o que tem prevalecido e, nesse aspecto, cada vez mais, fragilizando a profissão e o jornalismo. E aí é que mora o perigo. Exatamente porque se havia respeito anteriormente pelas falas e escritas dos jornalistas, hoje tudo é banalizado.
O exemplo real é que quando tudo se fragiliza os processos aparecem. E, nesse aspecto, uma amiga e combativa profissional diplomada, que vem da luta de antes, como Bleine Oliveira, está passando por uma tempestade perigosa com os vários processos judiciais que a atingem por seu posicionamento crítico, em relação a candidatos nesse tempo de campanha eleitoral.
Em outras épocas a categoria inteira já estaria nas ruas com faixas e cartazes, repudiando o rito processual e deixando claro que “Bleine somos todos nós”. Foi assim, lá atrás: Mexeu com um, mexeu com todos.
Hoje, cada tem seu partido e, ao que parece, a boiada vai espetando quem estiver pela frente, com a conivência lamentável de instituições e autoridades que olham mais para o próprio umbigo, do que para a preservação dos interesses legítimos da coletividade.
Enfim, os algoritmos nos transformaram nessa idiotia. E não se trata de saudosismo – e ainda que fosse – mas da necessidade da dignidade profissional que muita gente abdicou.
Mas, deixando tudo isso de lado, só quero dizer a você, Bleine Oliveira, que estou contigo.
Ah, e pronto para ir à luta em nome do respeito e da dignidade da profissão que abraçamos.


