23 set, 2017
Alessandra nasceu Alexandre se prepara para mudar de sexo transexual encarando o preconceito

ASSIM COMO IVAN, PERSONAGEM DA NOVELA A FORÇA DO QUERER, DA REDE GLOBO, A ALAGOANA ALESSANDRA SANTOS ENFRENTA AS DIFICULDADES E O PRECONCEITO PARA SER QUEM É.

COMO A ARTE IMITA A VIDA

FOTO: FELIPE BRASIL

Alessandra é formada em Ciências Sociais pela Ufal

A história da personagem Ivana, da telenovela A Força do Querer, da Rede Globo, está mexendo com o País. Pessoas de várias tendências filosóficas, linhas religiosas, etnias, estilos e faixas etárias comentam a transformação física da moça que nunca se sentiu mulher e, por isso mesmo, decidiu dar voz aos desejos e começar a se transformar em um rapaz.

O assunto polemizou. Muitas famílias brasileiras tomaram para si o drama vivido pela personagem e seus familiares e passaram a opinar sobre o tema. Discussões, muitas vezes acaloradas, tomaram conta de ambientes sociais e de trabalho. Várias hashtags estão circulando pelas redes sociais incentivando ou condenando Ivana, que adotou o visual masculino e quer ser chamado de Ivan.

Há quem concorde. Quem encoraje a transição da transsexualidade – identidade de gênero de determinada pessoa que difere da designada no nascimento e que procura fazer a transição para o gênero oposto através de intervenção médica. Mas há quem atire pedras e veja a questão como algo nocivo à saúde, à família, enfim, à sociedade.

O Maré procurou e encontrou alguém em Alagoas que viveu e/ou esteja vivendo essa situação de conflito. Recebemos Alessandra – que nasceu Alexandre – na Redação da Gazeta, semana passada. Ela chegou tímida, mas demostrando segurança. Em um papo sincero, abriu seu coração.

Alessandra Santos, 34 anos, 1,75 m e 63 quilos, chama atenção pelo seu porte alto e cabelos compridos. A trans, que admira a personalidade da cantora Madonna e o jeito de se vestir da apresentadora Poliana Abritta, contou que sempre se sentiu diferente das outras meninas da sua idade. “Senti algo estranho quando tive a consciência de que não gostava de brincar de carrinho e de jogar bola, mas curtia brincar de boneca. Como não podia tê-las, pegava os lápis de hidrocor, desfiava e, com os ‘pelinhos’ que se formavam, fazia de conta que eram seus cabelos. Nesse tempo, a Jéssica era minha boneca favorita…”

Mas Alessandra precisava ser muito discreta para não ter problemas familiares. Na infância, ela morava com seu único irmão, que é cinco anos mais velho, o avô (que era policial), a mãe e a tia. Dessa época, algumas das situações que mais a marcou foi quando, por não se aguentar de vontade, entregava flores, que encontrava pelo caminho, à mãe. “Como minha mãe odiava isso! Sempre me obrigava a jogá-las fora. Isso me marcou muito”, recorda.

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