6 jul, 2018
Maceió está entre as cidades com maior população em áreas de risco, segundo IBGE

201604190732_ce3154f077Defesa Civil Municipal diz que números são maiores que os apresentados pelo órgão

Estudo coloca Maceió entre cidades mais críticas do País

FOTO: ARQUIVO/GAZETAWEB

Com mais de 70 mil pessoas vivendo em áreas de risco em 2010, Maceió é a 19ª colocada no ranking das cidades com mais habitantes expostos a enchentes e deslizamentos em todo o País. Apesar de utilizar o Censo Demográfico de oito anos atrás, os dados foram divulgados pelo IBGE apenas agora e fazem parte do estudo População em Área de Risco no Brasil. Para a Defesa Civil de Maceió, os números atualmente são bem piores que os apresentados pelo Instituto.

Ao todo, 20.997 domicílios maceioenses aparecem no estudo classificados como “de risco”. Outros alagoanos ainda figuram no levantamento, que mostra os 20 piores municípios nesse sentido em todo o País. Entre os locais, os com situação mais preocupante são União dos Palmares, com 16.190 morando em áreas de risco; São Luiz do Quitunde, com 7.239; Matriz de Camaragibe, com 6.384; e Murici, com 5.478.

Foram analisados ainda Branquinha (2.961), Barra de São Miguel (206), Cajueiro (3.561), Colônia Leopoldina (2.505), Coruripe (1.373), Feliz Deserto (1.686), Joaquim Gomes (2.198), Limoeiro de Anadia (629), Maragogi (2.700), Marechal Deodoro (680), Paripueira (3.251), Paulo Jacinto (2.757), Quebrangulo (2.607), Santana do Mundaú (2.050), São José da Laje (4.859), São Miguel dos Campos (3.965), Satuba (1.155) e Viçosa (1.860).

Em todo o Brasil, mais de 8 milhões de pessoas vivem em área com risco potencial de enchentes e deslizamentos de terra, em 872 cidades, como mostra o estudo inédito do IBGE, que utiliza dados do Censo Demográfico 2010. O levantamento é resultado de um acordo de cooperação técnica assinado entre o órgão e o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).

Salvador aparece com a maior concentração de pessoas vivendo nessas condições, com 1,2 milhão, o que equivale a 45% da população. Em seguida, aparecem São Paulo, com 674,3 mil, e Rio de Janeiro, com 444,9 mil, ocupando a segunda e terceira colocações. Belo Horizonte e Recife, este último com 206.761 habitantes morando de forma perigosa, completam a lista dos cinco piores colocados.

No ranking dos 20 municípios que mais apresentam o problema, Maceió perde apenas para Igarassu, em Pernambuco, que aparece na 20ª posição. O Nordeste tem oito cidades entre as mais críticas. Por aqui, a população vulnerável era constituída, segundo o levantamento, por 9,1% de crianças e 8,4% de idosos com 60 anos ou mais – no Brasil, o percentual de crianças ficou em 9,2% e o de idosos em 8,5%.

A pesquisa tem como objetivo traçar um mapeamento para que tragédias sejam evitadas e, segundo o coordenador de Geografia do IBGE, Claudio Stenner, criou um novo recorte territorial, denominado Base Territorial Estatística de Áreas de Risco (Bater).  A metodologia para isso combinou a base territorial utilizada pelas pesquisas do instituto com os dados do Censo Demográfico.

“A cooperação do IBGE com o Cemaden gerou um produto novo, agregando conhecimentos das duas instituições e que vai ser de grande valia para políticas públicas que possam reduzir a população em área de risco no País. Terá o papel de salvar vidas”, concluiu o gerente Claudio Stenner.

‘Números não correspondem’

Apesar da posição no ranking nacional apontar uma população de cerca de 70 mil pessoas vivendo em áreas de risco, o coordenador da Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos, afirma que o quantitativo está desatualizado e que, infelizmente, o número é muito maior, tendo em vista o crescimento da própria população em geral, que à época tinha cerca de 800 mil habitantes e hoje conta com mais de 1 milhão.

“Não sei qual o parâmetro que foi utilizado, mas nossas medidas mostram uma situação ainda mais crítica. Estamos falando de uma diferença de quase dez anos. De lá pra cá, muita coisa mudou, inclusive com o Litoral Norte, que nem entrou nos estudos do IBGE, mas apresentou um grande crescimento desordenado nos últimos anos. Além dessa região, outras também têm apresentado esse tipo de situação”, disse.

Segundo Dinário, a partir dos estudos mais recentes da Defesa Civil e considerando a proporção e o crescimento populacional, o órgão estima que a cidade de Maceió conta hoje com cerca de 200 mil pessoas vivendo em área de risco, divididas em 76 áreas, das quais quase metade – 35 – estão situadas na região do Vale do Reginaldo.

Com relação às políticas públicas para retirada desta população e reinserção delas em áreas apropriadas, o coordenador da Defesa Civil informou que há projetos do município em parceria com os governos estadual e federal, mas que não têm apresentado a eficácia esperada.

“Infelizmente, não é algo que depende somente do poder público. A população muitas vezes é contemplada com casas em outras regiões, mas se nega a sair, e os motivos para isso são vários. Há todo um processo para que essas pessoas sejam convencidas a deixar o lugar onde moraram por toda uma vida para recomeçarem em outro lugar. Muitos não veem vantagem e se negam”, concluiu.

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