10 set, 2019
Petrobras demitirá 2,5 mil terceirizados, ao desocupar ‘torre da propina’ em Salvador
Torre Pituba foi erguida em contrato que sangrou R$ 68 milhões em propina, de 2010. Foto: Edson Ruiz/Coofiav/Folhapress

Cerca de 1,5 mil funcionários efetivos serão transferidos para outros estados

Em uma medida justificada pela necessidade de cortar despesas, a Petrobras demitirá 2,5 mil funcionários terceirizados, até o final do ano, com a desocupação do edifício Torre Pituba (Ediba), em Salvador (BA).

Erguida em contrato de locação firmado em 2010, entre Petrobras e o Petros, o fundo de pensão dos funcionários da estatal. A informação foi divulgada ontem (9) pelo Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA).

O sindicato denuncia que, além das demissões, 1,5 mil funcionários efetivos da estatal que também trabalham no prédio serão transferidos para outros estados, a partir de novembro.

Alvo da Lava Jato, a torre rendeu R$ 68 milhões em subornos para dirigentes da Petros, da Petrobras e para o Partido dos Trabalhadores (PT), segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Segundo o sindicato, todos os funcionários já foram avisados das mudanças durante reuniões ocorridas no edifício. “Ocorreram reuniões, principalmente aqui no prédio da Torre Pituba, onde as gerências notificaram os trabalhadores que eles teriam que procurar outras unidades em outros estados para serem transferidos.

Principalmente, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Esse processo se intensificou a partir de quinta-feira [5]”, disse Radiovaldo Costa, gerente de comunicação do Sindipetro, em entrevista ao G1.

Em nota, a Petrobras confirma a desocupação do edifício, sem comentar demissões. A estatal explica que a desocupação “não é pontual em uma região específica e faz parte de uma gestão responsável de recursos”. Diz ser “natural nas empresas” a mobilidade de pessoas entre prédios ou mesmo entre diferentes unidades ou áreas de atuação. E argumenta que a companhia avalia oportunidades de redução de custos em todos os processos e atividades, incluindo a ocupação predial.

A empresa também pretende se desfazer de outros ativos na Bahia, incluindo a primeira refinaria do Brasil, Landulfo Alves, localizada na cidade de São Francisco do Conde (BA), na região metropolitana de Salvador, que deve ser vendida até o final do ano.

A Petrobras ainda vai arrendar por dez anos a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), que a estatal administra.

A estatal atua em quatro bacias de extração de petróleo na Bahia, com quatro terminais de armazenamento e distribuição no estado, e cinco termelétricas e um sistema gasoduto na capital. Ao todo, são 4 mil funcionários efetivos e 14 mil terceirizados que a Petrobras mantém na Bahia, segundo dados do Sindipetro.

Desinvestindo no Nordeste

Economista Armando Avena expôs a decadência da Petrobras em volume industrial na Bahia, que caiu de 30% para 15% de toda a produção, nos últimos quatro anos.

“A Petrobras tomou a posição de concentrar no Sudeste as refinarias que vão ficar sob seu controle, e colocar no Nordeste as refinarias que serão privatizadas. Então, é uma opção, porque a empresa já está fazendo isso. Ela já está desinvestindo nessas regiões. E ela vai, então, se concentrar naquilo que é o seu principal negócio, que é a exploração do pré-sal”, disse o economista ouvido pelo G1.

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