Há coisas que só acontecem com o Botafogo. O ditado de cunho futebolístico também se aplica à política. No caso, há coisas e situações que só poderiam envolver Rodrigo Maia. Desde que seu codinome Botafogo apareceu nas planilhas da Odebrecht, o presidente da Câmara tem evitado passar pelo mesmo constrangimento de outros parlamentares, hostilizados durante voos comerciais. A solução encontrada pelo democrata para driblar eventuais insultos foi usar e abusar dos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Entre janeiro de 2017 e fevereiro deste ano, ele esteve a bordo de uma aeronave da FAB em 250 oportunidades. A conta foi paga pelo contribuinte.

É o que mostra levantamento de ISTOÉ com base nos dados do Portal da Transparência da FAB. Rodrigo Maia, que faz discurso como defensor da austeridade nas contas públicas, parece esquecer sua bandeira quando o beneficiado é ele mesmo. O deputado não abriu mão dos jatos da FAB nem mesmo durante o recesso parlamentar, quando a Câmara dos Deputados não funciona e, portanto, sua presença em Brasília não é exigida. Nos meses de janeiro de 2017 e de 2018, Maia usou os aviões da FAB quarenta vezes.

Gastos milionários

O Rio de Janeiro, sua terra natal, são a origem ou destino preferidos nos deslocamentos. Em todo o período pesquisado, ele fez a ponte Brasília/Rio ou Rio/Brasília nada menos que 130 vezes. Detalhe: apesar de justificar que estava em serviço, nem sempre Maia teve o cuidado de verificar que a data de seu embarque coincidia com o fim-de-semana. É o caso da ida dele para Brasília no dia 12 de novembro de 2017, um domingo.

Em uma mesma semana de março, o presidente da Câmara chegou a viajar até seis vezes. A comitiva que o acompanha é composta, em geral, por nove pessoas. Por medida de segurança, a FAB não divulga os dados contendo gastos com viagens de autoridades que utilizam sua frota de aviões. Mas, em 2017, gastou cerca de R$ 180 milhões apenas em combustíveis. Agora sabe-se que boa parte disso foi consumida com as viagens de suas excelências. Segundo levantamento da Rádio CBN, só as idas e vindas de Maia custaram aos cofres públicos mais de R$ 1,3 milhão.  Por ser deputado federal, Rodrigo Maia tem direito a passagens aéreas pagas pela Câmara. Desde 2015, as despesas da Casa com os deputados federais em bilhetes de companhias aéreas regulares custaram R$ 7,6 milhões, uma fortuna em tempos de contenção de gastos.

TNM/Marcos Corrêa

Além das idas ao Rio de Janeiro, Maia fez ainda três viagens internacionais nas asas da FAB: em julho foi à Argentina, em agosto esteve no Peru e em outubro visitou o Paraguai

Em nota, o presidente da Câmara dos Deputados afirmou que utiliza os voos da FAB respeitando as normas do decreto presidencial nº 4244/2002. O documento garante ao presidente da Câmara o direito de viajar utilizando os jatinhos da Força Aérea Brasileira em viagens a serviço e deslocamentos para seu local de residência permanente, no caso, Rio de Janeiro. Se não é ilegal, o gol contra do Botafogo é ao menos imoral.

Crédito: Paulo Lopes

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