16 mar, 2019
Em Maceió, mais de 8 toneladas de lixo são retiradas de lagoas e mares em 1 ano

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Pesquisa revela que o Brasil é o 4º maior produtor de resíduo plástico no mundo

TNM/Por Clarissa Nazário | Portal Gazetaweb.com   

Não é novidade para ninguém que as praias de Alagoas são conhecidas mundialmente pela beleza. Quem chega nas orlas do estado se deslumbra com o azul encantador do mar. Porém, a situação das lagoas e do mar alagoano fazem parte da estatística divulgada pela organização World Wide Fund for Nature (WWF), em que o Brasil se configura como o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo. Segundo a Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (Slum), cerca de 8.400 quilos de resíduos descartados irregularmente foram retirados do mar e lagoas no ano passado.

No dia 10 de março, o presidente Jair Bolsonaro informou, por meio das suas redes sociais, que o Ministério do Meio Ambiente realizará uma ação no Dia Mundial da Água (22). Com a intenção de combater a poluição marítima, uma armação de metal de 15 metros de comprimento, em formato de tubarão-baleia, será utilizada na retirada de lixo do mar. Ainda de acordo com o presidente, a campanha será a primeira etapa da agenda ambiental urbana.

Todos os anos são feitas campanhas de conscientização para alertar a população sobre o perigo e o impacto do descarte irregular de lixo em praias e lagoas. Mas, ainda assim, durante um banho de mar é comum dividir espaço com embalagens de alimentos ou materiais descartáveis. Esse tipo de lixo leva em média 450 anos para se decompor na natureza.

Em conversa com a Gazetaweb, o professor e coordenador do Laboratório de Biologia Marinha e Conservação (Lamarc) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Robson Guimarães, revela a estimativa de que 5 trilhões de fragmentos de material plástico estejam flutuando nos oceanos. Apenas no ano de 2010, avalia-se que entraram nos oceanos entre 5 e 12 milhões desse tipo de resíduo.

O tempo de convivência com esse material, quando jogado no mar e em lagoas, é enorme e o impacto no meio ambiente acaba afetando não só o local para banho, mas também todos os tipos de vida marinha que existem ali.

Entre os animais, as tartarugas marinhas são as maiores vítimas do problema da poluição causada pelo homem. Ao confundir o plástico com alimento, elas acabam ingerindo o material e sentem a falsa sensação que estão satisfeitas. Esses animais perdem peso, ficam enfraquecidos e doentes. Então, terminam encalhando nas praias. Muitos desses bichos são resgatados ainda com vida, porém devido à situação degradante em que se encontram, eles acabam não sobrevivendo.

Tartaruga é encontrada morta em praia de Maceió; animais são as maiores vítimas da poluição marítima

FOTO: Divulgação Biota

Ainda segundo Robson Guimarães, durante um trabalho de pesquisa realizado em 2015, em que foi avaliada a ingestão de plástico por tartarugas marinhas ao longo da costa brasileira, foi analisado que, em média, 70% dos animais haviam ingerido plástico.

“A ingestão de apenas 0,5g de plástico é suficiente para causar a morte de uma tartaruga juvenil. Esta quantidade equivale a mais ou menos 10% de uma sacola plástica”, ressalta o professor.
“Ao analisarmos mais de 100 animais encontrados mortos nas praias de Maceió (dados obtidos e analisados em parceria com o Instituto Biota), nós encontramos que mais de 30% das tartarugas avaliadas ingeriram plástico”, completou Guimarães.

O professor e pesquisador ainda faz um alerta sobre o descarte comum de lixo. “Não basta apenas jogar o lixo no lugar certo, pois o plástico é leve e durável, ou seja, se dispersa facilmente pelo o ambiente”. Ele explica que é necessário reduzir o consumo de alimentos industrializados, pois as embalagens deles estão entre os itens mais encontrados nas praias e nas tartarugas.

De acordo com a Slum, durante a coleta realizada na faixa litorânea da capital, entre o Pontal da Barra e Ipioca, foram coletadas, em 2018, cerca de 8.400 toneladas de resíduos. O órgão afirma que o trabalho é contínuo para evitar que o lixo chegue ao encontro do mar em decorrência do descarte inadequado. Equipes são distribuídas durante os três turnos para a realização do trabalho de limpeza

Grupos se reúnem regularmente para coleta de lixos nas praias de Alagoas

FOTO: Reprodução/Instagram

Além da coleta realizada pela prefeitura, existem grupos voluntários que se reúnem, pelo menos uma vez por mês, sempre em praias diferentes, para recolher os resíduos deixados inadequadamente nas areias do mar de Alagoas. Um desses grupos é o ‘Coletivo Praia Limpa’.

O responsável pela coordenação geral do projeto, o biólogo e professor Luiz Carlos Maresia, contou que eles, geralmente, não fazem a pesagem exata dos materiais recolhidos, porém expôs a quantidade de lixo retirado da praia durante as duas últimas ações do coletivo. “Em um tempo de cerca de uma hora e meia, e percorrendo uma área equivalente a três campos de futebol, coletamos aproximadamente 1,3 toneladas de resíduos sólidos”, disse Luiz.

Apesar da má fama dos banhistas, que geralmente descartam os materiais no mar e nas lagoas, eles também contribuem com a coleta consciente desse lixo. Edjane Albuquerque vai à praia frequentemente com a família e explica que sempre leva um recipiente para pôr os materiais que ela descarta durante o lazer.

“Levo uma sacolinha para colocar o lixo e descartar em uma lixeira. Essa é a primeira iniciativa que tomo quando vou à praia”, conta.

Ela ainda relata que tenta conscientizar as pessoas a sua volta com frequência, sobre a poluição. “Procuro passar para pessoas a fazer o mesmo e evitar sujar as praias. Se todos fizessem o mesmo, nossas praias estariam mais bonitas e limpas”, acredita Edjane.

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